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“O Invasor”: filme brasileiro retrata com crueza a banalidade da violência urbana

Obra de Beto Brant, premiada em Sundance, segue atual ao expor os limites tênues entre crime, poder e cotidiano nas grandes cidades

Por: Carlos Leen
20/06/2025 às 18h07 Atualizada em 20/06/2025 às 18h52
“O Invasor”: filme brasileiro retrata com crueza a banalidade da violência urbana
“O Invasor” (2002), de Beto Brant, um longa-metragem duro, impactante e que parece cada vez mais atual.

No dia 19 de junho, comemoramos o Dia do Cinema Nacional — uma data que convida à valorização da nossa produção audiovisual, repleta de obras que refletem a realidade do país.

Em meio aos clássicos e aos sucessos recentes, há também títulos que, apesar da qualidade inegável, acabam esquecidos nos catálogos de streaming.

É o caso de “O Invasor” (2002), dirigido por Beto Brant, um filme essencial para compreender o Brasil urbano e as engrenagens podres do capitalismo nacional do século XXI.

Baseado no romance homônimo de Marçal Aquino, o longa venceu diversos prêmios no Brasil e no exterior, entre eles o de Melhor Filme Latino-Americano na 20ª edição do Festival de Sundance, um dos principais festivais de cinema independente do mundo.

“O Invasor” narra a história de três amigos de juventude que, anos depois de formados, comandam uma construtora de sucesso em São Paulo. A parceria, no entanto, se rompe quando interesses financeiros entram em conflito. A solução encontrada por dois dos sócios, Ivan (Marco Ricca) e Gilberto (Alexandre Borges), é radical: assassinar o terceiro, Estevão (George Freire), com a ajuda de um matador de aluguel. É aí que surge Anísio, personagem vivido com intensidade por Paulo Miklos, músico e integrante da banda Titãs, em sua impressionante estreia como ator.

Mas o que poderia ser apenas mais uma trama de crime ganha contornos profundamente incômodos graças à direção precisa de Brant e ao roteiro seco e direto.

A violência urbana, tão presente no noticiário e nas esquinas do Brasil real, não é aqui espetáculo, mas desespero cotidiano. O filme nos coloca diante do abismo moral onde tudo é negociável — inclusive a vida.

Com uma trilha sonora marcante, participações simbólicas como a do rapper Sabotage (em uma de suas raras aparições no cinema), e um elenco de peso que inclui ainda Malu Mader, Chris Couto e Mariana Ximenes, "O Invasor" escancara as fronteiras difusas entre o crime e o poder econômico, entre o asfalto e o sangue, entre o luxo das coberturas e a crueza das vielas.

Mais de duas décadas depois de seu lançamento, o filme segue atual, cortante, necessário.

Em tempos em que a realidade brasileira parece cada vez mais atravessada por conflitos éticos e sociais, revisitar obras como “O Invasor” é essencial.

Disponivel nas plataformas Globo Play, Apple TV e Amazon Prime.

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