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News Leen: Cultura Racional

De como um grupo de rap, de pobres da periferia colocou o sistema sob sua palma da mão

Por: Carlos Leen
19/11/2022 às 11h24 Atualizada em 22/11/2022 às 10h25
News Leen: Cultura Racional
Foto: Divulgação

É improvável que você não se emocione com o documentário “Racionas: das ruas de São Paulo pro Mundo”, recém lançado na Netflix, com cerca de quase duas horas de duração.

Parece longo, mas não é. A cada minuto somos transportados aos detalhes de uma realidade do Brasil não muito distante em que jovens negros moradores da periferia sem perspectivas de vida alguma, resolveram fazer poesia e musicá-las com o melhor da cultura hip-hop da época. 

“Nossa única visão de futuro aqui era viver na lama e tomar tiro”, diz em certo momento o vocalista Mano Brown. Os depoimentos são fantásticos, mas nada que as imagens não superem em força bruta e resgate histórico do que era viver aquele local, naquelas condições.

E imagem vale mais do mil palavras. Nesse caso, o documentário funciona como uma bomba atômica delas, as imagens, sem apelos, em harmonia com uma narrativa que cria um misto de indignação, emoção e esperança na raça humana. Ainda temos em que acreditar.  

Fica mais fácil entender porque o grupo consolidou seu nome na História da Música Popular Brasileira, mesmo negando-a veementemente através de um engajamento e uma intelectualidade orgânica pouco vista em outros estilos e grupos. Assista você mesmo e tire suas conclusões.  

Não atoa a Netflix escolheu o momento de lançar o documentário na semana em que se realizam comemorações em alusão a Consciência Negra no país. “Racionais...”, o filme, deveria ser obrigatório nas escolas e faculdades Brasil afora.

Pode xingar? Nesse caso pode. “Racionais: Das ruas de São Paulo pro Mundo”, é foda!

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