16°C 26°C
São Paulo, SP
Publicidade

Marcha da Família com Deus pela Liberdade: Reflexões sobre o passado e o presente

A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, evento histórico que antecedeu o Golpe Militar de 1964, deixou um legado pavoroso nas manifestações contemporâneas.

21/03/2024 às 10h17 Atualizada em 08/04/2024 às 10h23
Por: Carlos Leen
Compartilhe:
Marcha da Família com Deus pela Liberdade: Reflexões sobre o passado e o presente

Já se vão 60 anos!

A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, evento histórico que antecedeu o Golpe Militar de 1964, deixou um legado pavoroso nas manifestações contemporâneas.

Há seis décadas, liderados pela primeira-dama Leonor Mendes de Barros, esposa do Governador Ademar de Barros (aquele que dizia “roubo mas faço”) - as ruas de São Paulo testemunharam a mobilização.

O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes) oferecia cursos para formar lideranças femininas, promovendo a união das famílias contra os perigos percebidos do “comunismo”.

Os paralelos entre o passado e o presente são inquietantes. A defesa da família tradicional, a aversão a esse suposto comunismo e a mistura entre religião e Estado são características compartilhadas entre os participantes da Marcha de 64 e os manifestantes contemporâneos. A cor vermelhos evitada como símbolo de uma ameaça ideológica.

E a ausência das classes populares.

Em ambos os momentos históricos, as manifestações foram predominantemente compostas por indivíduos brancos, religiosos, de classe média e alta. O embaixador americano Lincoln Gordon observou essa lacuna, à época, destacando-a como uma peculiaridade da marcha original.

Hoje, na efervescência dos atos bolsonaristas a mesma dinâmica se repete. O desapreço pela democracia e a esperança no golpismo persistem. E as vozes das classes populares continuam marginalizadas, relegadas aos bastidores da história.

É essencial refletir sobre o significado dessas manifestações e as lições que podemos extrair do passado. A história nos lembra que as lutas sociais são complexas, e que o verdadeiro desafio reside em construir uma sociedade inclusiva.

Contudo os fanáticos não mudarão. Mudemos nós.

Reparando nas simpáticas senhoras de verde e amarelo que foram às ruas para prestar apoio a Bolsonaro. Todas irmãs, mães, avós. Os regimes autoritários não são obra do diabo ou do acaso, mas delas. De seres humanos como você e eu. Muitos “gente boa” como elas, você e eu. Talvez a maioria?

Como o escritor Alan Moore comenta, no programa da BBC, “Comics Britannia”, explicando uma de suas principais obras, o gibi “V de Vingança”:

"Sugerimos que os nazistas não eram do espaço. Eles não vieram das profundezas do inferno. Eles eram açougueiros, varredores de rua, professores e pessoas comuns de classes sociais comuns. Eles não eram monstros ...mas eles simplesmente seguiram o fascismo, quando o fascismo estava na ordem do dia.”

Eram pessoas que fizeram suas escolhas por uma razão. Às vezes essa razão era a covardia, às vezes era só querer se ajustar e evitar problemas, às vezes era uma crença genuína nesses princípios."

Sem igualar nem de longe o Brasil da “Marcha para a Família” de 64, ou ao Brasil de 2024 à Alemanha dos anos 40 ou à Inglaterra distópica de “V”, assim continua sendo. A crença genuína, a fé, é poderosa. Fanáticos são impermeáveis aos fatos e ao diálogo.

E será possível curar um fanático? Será que eles querem ser curados? Ou têm consciência clara de que só vão prosperar alimentando mais fanatismo? Acordos não engajam nas redes sociais nem elegem políticos. Devoção demente, sim.

Tema para outro artigo. Aguardem.

Até lá relembremos como foi os bastidores da Marcha 2024, na reportagem da Folha de São Paulo.

Click aqui

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
São Paulo, SP
26°
Tempo limpo

Mín. 16° Máx. 26°

26° Sensação
4.63km/h Vento
39% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
06h47 Nascer do sol
05h28 Pôr do sol
Qua 28° 16°
Qui 28° 18°
Sex 28° 17°
Sáb 28° 18°
Dom 30° 20°
Atualizado às 15h06
Publicidade
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,44 +0,29%
Euro
R$ 5,84 +0,36%
Peso Argentino
R$ 0,01 +0,07%
Bitcoin
R$ 371,925,75 -3,03%
Ibovespa
119,523,10 pts 0.32%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade