
A passagem do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) pela capital maranhense, prevista para a próxima semana, tornou-se centro de um duro manifesto assinado por mais de 40 organizações sociais, movimentos populares, entidades de direitos humanos e sindicatos do Estado do Maranhão.
O documento exige uma alteração imediata do ato político local planejado no Centro de São Luís.
O evento está agendado para a praça que compõe o Memorial Maria Aragão , espaço projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em homenagem à médica maranhense que foi símbolo de resistência e lutas sociais no estado.
As entidades signatárias apontam uma incompatibilidade direta entre a ideologia da candidatura e a representatividade histórica do local:
Memória da Violência Política: Maria Aragão foi uma mulher negra e médica defensora dos direitos sociais que, aos 63 anos, foi presa e barbaramente torturada durante o regime militar instaurado em 1964;
Conflito Simbólico: As entidades destacam o repúdio à escolha do memorial por um candidato que abertamente exalta o período da ditadura militar e a figura do coronel Carlos Alberto Ustra, condenado por crimes de tortura no mesmo período;
Exigência Formal: O manifesto classifica a realização do ato na praça como um desrespeito à história de lutas da capital e cobra a transferência da mobilização para outro ponto da cidade.
Entre as organizações que subscrevem o pedido de veto estão a Central Única dos Trabalhadores (CUT-MA), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Fórum Maranhense de Mulheres, a Rede de Mulheres Negras (REMNEGRA), a Comissão Pastoral da Terra (CPT-MA), o Sindicato dos Bancários (SEEB-MA), além de lideranças indígenas e quilombolas do estado.
A polêmica sobre o local do evento expõe como a disputa de segundo turno ultrapassa o debate eleitoral tradicional e alcança o campo simbólico da memória histórica e dos direitos humanos.
O Memorial Maria Aragão é um marco da cultura e da militância progressista no Maranhão, sendo palco habitual de manifestações populares e culturais.
Ao agendar um ato no local, a campanha de Flávio Bolsonaro provocou reação imediata das bases sociais maranhenses, que reativam agora o debate sobre a ditadura, contra a presença do candidato do PL, saudosa do regime de excessão, em um espaço de celebração da democracia.
LEIA ABAIXO NA INTEGRA O MANIFESTO
As organizações sociais que assinam este documento exigem que o candidato Flávio Bolsonaro respeite a memória de Maria Aragão e mude o local de sua campanha na cidade de São Luís, a capital do Maranhão.
Trata-se de uma exigência! Queremos respeito! Não aceitamos que a memória de Maria seja pisoteada.
A praça onde o candidato Flávio Bolsonaro planejou realizar seu ato político, no Centro de São Luís, faz parte de um memorial que presta homenagem à médica maranhense Maria Aragão, uma mulher negra que foi barbaramente torturada pela ditadura militar instaurada no Brasil, em 1964, pela extrema direita.
Flávio Bolsonaro e seu pai, Jair Bolsonaro, celebram a ditadura que prendeu e torturou Maria Aragão. E, mais do que isso, eles cultuam a memória do coronel Carlos Alberto Ustra, condenado exatamente por crimes de tortura durante essa mesma ditadura.
Por lutar em favor da democracia e da justiça social, Maria Aragão foi presa por essa ditadura, que sustentava os crimes de Ustra, coronel hediondo que torturou inclusive crianças e mulheres grávidas.
A médica Maria Aragão era uma senhora de 63 anos quando foi presa e torturada pela ditadura.
Com venda nos olhos, levou grande quantidade de choques elétricos, quando teve crises de hipertensão. Foi ameaçada de sofrer abusos sexuais com um cacetete.
Maria levou chutes, foi esbofeteada, arrastada e puxada pelos cabelos. Mal alimentada, chegou a dormir em locais onde havia ratos e restos de comida.
Todo o memorial Maria Aragão, incluindo a praça, foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que não cobrou pelo serviço, por se tratar de uma homenagem a médica maranhense.
Por tudo isso, pelo mais profundo respeito à memória de Maria, é que nós estamos vindo a público exigir a mudança do local da campanha do candidato da extrema direita, que é politicamente ligado aos crimes da ditadura.
Fórum Maranhense de Mulhres
Rede de Mulheres Negras do Maranhão - REMNEGRA
Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom)
Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares
Central Unica dos Trabalhadores (CUT-MA)
Comissão Pastoral da Terra (CPT-MA)
Povo Akroá Gamella -TI Taquaritiua
Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Maranhão (Abraço-MA)
Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão
Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão
APRUMA - Seção Sindical do ANDES-SN
Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Pública Municipal de São Luís (SINDEDUCAÇÃO)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento de Defesa da Ilha
Levante da Juventude
UNEGRO MARANHÃO
Movimento Mulheres em Luta
CSP Conlutas
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB Maranhão)
Nova CTB Maranhão
UJS - União da Juventude Socialista
Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe
Quilombo Raça e Classe/MA
Sindicato dos Metalurgicos do Maranhão (SINDMETAL)
Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA)
Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (StiuMa)
Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias dos Estados do Maranhão, Pará e Tocantins (Stefen)
Sintsprev -MA
Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência/Ma
Sintsep-MA – Sind. Dos Trabalhadores no Serv Público do Estado do Ma
Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários/CUT
Sintrajufe/MA
SINTES- MARANHÃO
Confederação dos Trabalhadores em Transporte e Logística/CUT
Centro de Defesa dos Direitos do Povo Padre Cláudio Bergamaschi
Centro de Formação para a Cidadania AKONI
Comitê de Solidariedade à Luta pela Terra - COMSOLUTE
Semear/PSOL/MA
Agência Tambor
A Feira do Empreendedorismo do Quilombo URBANO da Liberdade