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SÃO LUÍS – MPMA lança projeto para fortalecer notificações de violência sexual

Projeto institucional foi apresentado no auditório das Promotorias da CapitalO Ministério Público do Maranhão, por meio da 5ª Promotoria de Justiç...

Por: Carlos Leen Fonte: MPMA
05/12/2025 às 15h47
Projeto institucional foi apresentado no auditório das Promotorias da Capital

O Ministério Público do Maranhão, por meio da 5ª Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e Juventude de São Luís, realizou, na manhã desta sexta-feira, 5, a apresentação do projeto institucional “Notificar para proteger: fortalecimento da notificação compulsória de casos de violência sexual nas redes de educação e saúde de São Luís”.

O público-alvo da reunião foi formado por membros e servidores do MPMA, gestores das Secretarias Municipais de Saúde, Educação e Assistência Social de São Luís, além de conselheiros tutelares.

Os trabalhos, conduzidos pelo promotor de justiça Arnoldo Jorge de Castro Ferreira, contaram com a presença do procurador-geral de justiça, Danilo de Castro. O chefe da instituição ressaltou o quanto o tema é importante e delicado e garantiu apoio à iniciativa.

Arnoldo Jorge Ferreira apresentou o projeto

“Sabemos que nossas crianças representam o futuro, mas precisamos resolver essas questões agora como forma de garantir que elas tenham um futuro digno e saudável”, enfatizou.

Também estiveram presentes na reunião o coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude, Gleudson Malheiros, e os promotores de justiça Carla Mendes Pereira Alencar, Lana Cristina Barros Pessoa e Márcio Thadeu Silva Marques, todos com atuação na defesa de crianças e adolescentes na capital.

Procurador-geral ressaltou importância do tema

SUBNOTIFICAÇÃO

Buscando combater a violência sexual contra crianças e adolescentes, considerada uma das mais graves formas de violação dos direitos humanos, o Ministério Público do Maranhão identificou altos índices de subnotificação desses casos. Essa situação impede a proteção integral, a responsabilização dos agressores e a formulação de políticas públicas.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê que esse tipo de situação é passível de notificação compulsória por parte de profissionais de saúde, educação e assistência social, sejam casos confirmados ou suspeitos.

Segundo Arnoldo Ferreira, a notificação pode garantir a intervenção imediata, proteger a vítima, acionando a rede de proteção, que envolve instituições como o Conselho Tutelar e as redes de saúde e assistência, além de viabilizar a responsabilização penal.

Membros do MPMA destacaram a necessidade da notificação compulsória

“Essa responsabilização tem uma característica muito importante: além da repressão, ela funciona na prevenção de novos casos, possibilitando a proteção integral da criança”, explicou.

De acordo com o Unicef, a estimativa é que apenas 10% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes chegam ao conhecimento das autoridades. No período de janeiro a setembro de 2025, foram recebidas pelo Disque 100 aproximadamente 230 mil denúncias de todo o país. Desse total, 2.796 partiram do Maranhão.

Em São Luís, as Promotorias de Justiça da Infância e Juventude também identificaram que há subnotificação por parte de creches, escolas e unidades de saúde. Além disso, faltam protocolos internos e fluxos unificados que facilitem as denúncias, bem como a capacitação dos profissionais. “A ausência de dados impede a implementação de políticas públicas e intervenções estratégicas”, pontuou Arnoldo Ferreira.

Integrantes da rede de proteção participaram do encontro

PROJETO

O projeto institucional “Notificar para proteger” busca fortalecer a notificação compulsória de casos suspeitos ou confirmados de violência sexual nas redes de educação e saúde de São Luís por meio da implementação de protocolo intersetorial, padronização do fluxo de notificação, capacitação contínua dos profissionais, ampliação das notificações formais e encaminhamento correto à rede de proteção à infância e juventude.

Durante o encontro, integrantes da rede, formada por órgãos públicos vinculados ao sistema de saúde, educação e assistência social, bem como conselheiros tutelares, elogiaram a iniciativa e compartilharam os procedimentos que vêm adotando para notificar casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Procedimentos para impedir a subnotificação da violência foram discutidos

A expectativa é que essas ações resultem no aumento de notificações, qualificação dos fluxos interinstitucionais e redução das revitimizações e omissões. Além disso, busca-se garantir respostas rápidas articuladas e a produção de informações confiáveis, integrando as áreas de educação, saúde, assistência social e sistema de justiça.

Redação: CCOM-MPMA

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