Uma pesquisa realizada nas unidades básicas de saúde de Imperatriz (MA) revelou que apenas 51,2% das crianças com menos de seis meses estão em aleitamento materno exclusivo (AME). O dado preocupa profissionais de saúde e reforça a necessidade de ações contínuas de incentivo à amamentação. O estudo também aponta que 41% das mães relataram dificuldades para manter o AME, entre elas dor, pega incorreta, baixa produção de leite e recusa do bebê.
Desenvolvida pelo pesquisador João Rodrigo Araújo da Silva, vinculado ao campus avançado Bom Jesus, da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), a pesquisa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema). Intitulada “Conhecimentos e prática dos profissionais de saúde sobre aleitamento materno na atenção primária à saúde”, a pesquisa também contou com a colaboração da bolsista Kethlen Pereira e orientação da professora Floriacy Stabnow. Ele se destaca por investigar tanto o comportamento das mães, quanto a atuação de médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários de saúde no processo de amamentação.
Outro dado relevante foi a constatação do uso precoce de mamadeiras e chupetas, com impacto direto na interrupção do aleitamento exclusivo. Apenas 5% das crianças menores de seis meses, que usavam mamadeira, permaneciam em AME, mostrando a interferência negativa dos bicos artificiais.
A pesquisa também apontou que o tipo de parto influencia o início da amamentação. Entre as mães que tiveram parto normal, 92,2% conseguiram amamentar na primeira hora de vida. Já nas cesarianas, o índice foi de 85,5%, ainda significativo, embora com mais obstáculos, devido à recuperação pós-cirúrgica.
“Além de mapear essas dificuldades, o trabalho identificou deficiências na formação técnica dos profissionais de saúde, o que compromete a qualidade do apoio oferecido às mães. A maioria não aborda adequadamente o tema durante o pré-natal ou o pós-parto imediato, o que agrava os desafios enfrentados por lactantes” conta João Silva.
Com o apoio da Fapema, a pesquisa se insere em uma política pública estadual, voltada para o fortalecimento da ciência e da saúde. “O incentivo à produção científica regional qualifica os serviços de saúde, assim como contribui para o desenvolvimento sustentável do Maranhão, sobretudo em municípios do interior”, observa o presidente da Fapema, Nordman Wall.
Entre os objetivos do estudo estão avaliar o conhecimento técnico dos profissionais, identificar a frequência de abordagem do tema nas consultas, caracterizar seus perfis e apontar práticas de apoio efetivo à amamentação. A pesquisa também recomenda a realização de ações educativas contínuas, rodas de conversa e o fortalecimento do vínculo entre profissionais e mães.
Ao apoiar iniciativas como esta, a Fapema reafirma seu compromisso com o fomento a pesquisas que geram impacto real na vida das pessoas. As ações da fundação estão alinhadas às do Governo do Maranhão, que este mês, lançou a campanha Agosto Dourado 2025, com o tema “Cada gota carrega uma esperança”. O objetivo é reforçar a importância do aleitamento materno como estratégia fundamental de saúde pública, ao mesmo tempo em que investe no futuro do estado por meio de ciência, educação e políticas sociais integradas.