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Editorial: A disputa pelo controle da Água em Imperatriz

O que motiva uma gestão que não dá conta de suas demandas, querer compra briga para assumir mais uma demanda?

Por: Carlos Leen
17/05/2022 às 17h56 Atualizada em 29/05/2022 às 13h08
Editorial: A disputa pelo controle da Água em Imperatriz

O prefeito de Imperatriz Assis Ramos deseja unilateralmente romper o contrato da prestação de serviços com a CAEMA.

Isso significa que a prefeitura pode contratar uma empresa privada para fornecer o bem a população.  

O prefeito alega falta de qualidade no serviço prestado pela Companhia, principalmente na parte de abastecimento e esgotamento sanitário.

Uma pesquisa simples no Google nos mostra que inúmeras experiências de privatização no saneamento já fracassaram em diversos locais no mundo. Quase a totalidade dos fracassos foi pela falta de investimento privado para o alcance da universalização e pelo péssimo serviço prestado à população.

Conforme estudo das Nações Unidas, nos últimos 15 anos houve ao menos 180 casos de reestatização do fornecimento de água e esgotamento sanitário em 35 países, em cidades como Paris (França), Berlim (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Budapeste (Hungria), La Paz (Bolívia) e Maputo (Moçambique).

Aqui no Brasil, Tocantins e Manaus são exemplos de gestão privada que fracassaram, esses locais possuem os maiores valores de tarifas e os piores indicadores de cobertura de serviços de água e esgoto no Brasil, segundo o relatório do Governo Federal.

Portanto, privatizar não é garantia de bom serviço. 

A cidade de Imperatriz passa por inúmeros problemas na sua infraestrutura. O prefeito ao invés de buscar resolvê-los, prefere criar uma cortina de fumaça ao puxar um debate cujo a essência não é garantia de resolução, mas de judicialização longa e arrastada.

A grande pergunta é: O que motiva uma gestão que não dá conta de suas demandas, querer compra briga para assumir mais uma demanda?

O gestor regional da Caema em Imperatriz, o Professor Adonilson  Lima, esteve em diversos meios de comunicação nesta terça (17)  e avaliou que o prefeito quer criar alarmismo e pânico na população.

“Todos sabem que há um desejo doentio por parte do prefeito e seus amigos empresários para assumir a CAEMA em nossa cidade. O que temos de concreto é esse desespero somente. Não existe legalidade nesse desejo. A Justiça não permite quebra de contrato unilateral e mesmo que esse processo já tivesse sido julgado, novos recursos poderiam ser impetrados.” Afirmou Adonilson Lima.

Água: Um bem de todos (as)

É dispensável tratar aqui dos problemas que vemos neste projeto, nos vícios conceituais que carrega. Isso já estamos fazendo há anos.

Um novo mérito agora se abre: o papel malandro, antidemocrático e antirrepublicano da atual gestão municipal. Está claro, com este tipo de projeto que existem interesses outros por trás.

Seria essa intermediação que o prefeito Assis Ramos deseja, na verdade, para desmontar o serviço prestado pela Companhia, em nome de acalmar financiadores de campanha ?

Para tê-los do seu lado no processo eleitoral que se inicia em 2022?  

E logo após este período encerrado voltar as costas para a sociedade e prostrar-se de joelhos novamente ao capital privado?

Engana-se o prefeito e sua gestão se pensam que conseguem com essas manobras calar ou derrotar as forças sociais que lutam pelo direito à cidade.

Estamos e estaremos juntos com o Movimento Pela Defesa da Caema, pública, nas ruas, nos tribunais, nas casas legislativas, combatendo por uma cidade para as pessoas, e não apenas para algumas pessoas e seus carrões.

Episódios como esta manobra antidemocrática de baixíssima categoria, só revelam que esta gestão tem lado, o lado das grandes construtoras e das elites.

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