
O Maranhão ocupa a terceira posição no ranking nacional de conflitos por terra, atrás apenas da Bahia e do Pará, segundo o Relatório Conflitos no Campo Brasil 2024, que será divulgado nesta quarta-feira (23) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
O documento, que detalha a violência contra povos tradicionais e o avanço do agronegócio no estado, revela que 71,8% dos casos registrados no país em 2023 ocorreram em território maranhense.
A CPT maranhense fará a apresentação do relatório em coletiva de imprensa às 14h, na sede do Sindicato dos Bancários, na Rua do Sol, em São Luís.
De acordo com nota divulgada nesta terça (22), o estudo traz dados inéditos sobre trabalho escravo rural, ações de resistência de comunidades tradicionais e o impacto da grilagem e de grandes empreendimentos em áreas de pequenos agricultores, indígenas e quilombolas.
“O relatório expõe não apenas a violência estrutural, mas também a luta desses povos para manter seus territórios diante de um modelo que prioriza o lucro em detrimento de direitos humanos”, diz trecho do comunicado. O Maranhão, historicamente marcado por disputas agrárias, concentra conflitos em regiões como a Amazônia Legal e áreas de expansão do agronegócio, onde a pressão por terras se intensificou nos últimos anos.
A CPT também destacará durante o evento as ações judiciais e políticas públicas propostas para frear a criminalização de lideranças e garantir a proteção de comunidades. O estado, que já liderou o ranking nacional de conflitos em décadas anteriores, segue no topo da lista mesmo com a queda geral de registros no país em 2023.