O projeto "Farmácias Vivas - Hortos Terapêuticos" em Pastos Bons foi inserido no Acervo Nacional de Fitoterapia Pública Brasileira da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). A inclusão se deu pelo destaque da iniciativa de inserir fitoterapia enquanto estratégia de consolidação, institucionalização e difusão do uso de plantas medicinais no Sistema Único de Saúde (SUS).
Criado em 2016 pelo Governo do Maranhão, o projeto Farmácias Vivas - Hortos Terapêuticos, executado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), tem como objetivo atender a população usuária do SUS e valorizar a sua cultura, seus conhecimentos e as características de seu território.
Dessa maneira, é promovida a conscientização sobre o uso correto de plantas medicinais no tratamento, suas finalidades e utilização. Atualmente a iniciativa está presente em 180 municípios do estado com 58 hortos em atividade.
"O maior impacto é mais uma vez mostrar para o Brasil porque somos referência em hortos terapêuticos, em cuidar dos que mais precisam através do uso de planta medicinal, respeitando a ancestralidade. Ao agregarmos conhecimento também o transformamos em ciência e capacitação profissional", destacou a coordenadora estadual do projeto Farmácia Viva da SES, Kallyne Bezerra.
A inclusão se deu a partir de 2021, quando o sanitarista doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da FMUSP, Pedro Carlesse estava escrevendo sua tese de doutorado. Na ocasião, ele visitou diversos hortos terapêuticos espalhados pelo país. No Maranhão, pode conhecer os trabalhos implantados tanto em São Luís como em outros municípios maranhenses.
O horto de Pastos Bons chamou a atenção do pesquisador devido à forma a abordagem da fitoterapia. No município, a estratégia reuniu em um só espaço desde plantas ornamentais, à frutíferas e medicinais existentes na região.
Com isso, foi observado que o Farmácia Viva não só respeitou a ancestralidade e conhecimentos tradicionais, como também agregou esses saberes à produção científica e capacitação de profissionais para o uso correto dos medicamentos naturais.
Segundo Carlesse, a tese de doutorado foi apresentada em 2023 e um capítulo da produção foi destinado à discussão sobre o que é desenvolvido no Maranhão, desde o trabalho realizado pela professora Terezinha Rêgo, ao uso do termo Farmácia Viva e a importância de mostrar a diversidade e possibilidades de uma farmácia.