
O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA), por meio do Núcleo de Imperatriz do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou nesta sexta-feira (6 de novembro) a Operação Califórnia.
A medida prestou apoio à 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, Ordem Tributária e da Saúde de Açailândia em procedimento que apura a prática de crimes licitatórios e lavagem de dinheiro em contratos de obras públicas.
Conforme a apuração preliminar do órgão ministerial, os fatos investigados englobam graves irregularidades no processo de adesão a atas de registro de preços — modalidade conhecida no meio jurídico como "carona" —, além de indícios de deficiência e falhas na execução dos serviços contratados.
Durante a ação cautelar autorizada pelo Poder Judiciário, equipes policiais e promotores cumpriram mandados de busca e apreensão nos endereços de dois alvos da operação. A ofensiva contou com o apoio da Delegacia Regional de Imperatriz e da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência do MPMA (Caei).
Nas diligências, os agentes apreenderam equipamentos eletrônicos, aparelhos celulares e um conjunto de documentos que passarão por perícia técnica para embasar a continuidade do inquérito.
Em nota, o Gaeco informou que o procedimento tramita em segredo de Justiça para resguardar a eficácia das investigações e a garantia do devido processo legal. A identidade dos investigados e o conteúdo do material apreendido não foram divulgados.
Embora a "carona" seja um mecanismo legal de simplificação de compras públicas, sua utilização sem os devidos estudos de exequibilidade e sem fiscalização rigorosa na entrega das obras frequentemente converte-se em atalho para o direcionamento de contratos e sobrepreço.
O desdobramento das perícais nos materiais eletrônicos apreendidos deve balizar os próximos passos da investigação, podendo desdobrar-se em novas fases e pedidos de indisponibilidade de bens.