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Reportagem revela festa de Flávio Bolsonaro em lancha com lobistas da Covaxin durante o pico da pandemia

Apuração da revista piauí, repercutida pela Folha de S.Paulo, aponta evento no Lago Paranoá em julho de 2020 organizado por executivos da Precisa Medicamentos; senador teria sido presenteado com Rolex de luxo.

Carlos Leen
Por: Carlos Leen
22/10/2026 às 10h38 Atualizada em 22/10/2026 às 10h51
Reportagem revela festa de Flávio Bolsonaro em lancha com lobistas da Covaxin durante o pico da pandemia
REVELAÇÃO: Reportagem da revista piauí aponta que Flávio Bolsonaro (PL) participou de festa em lancha no Lago Paranoá durante a pandemia em 2020.

Reportagem investigativa publicada pela revista piauí e repercutida no jornal Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (22 de outubro de 2026) aponta que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), participou de uma festa em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em julho de 2020, acompanhado por lobistas e garotas de programa.

O encontro teria ocorrido no momento em que o Brasil enfrentava um dos picos de mortes pela doença, sob rigorosas medidas de isolamento social e restrição de circulação decretadas em todo o país, antes da chegada das primeiras doses de vacina.

Articulação da Covaxin, 'Rachadinha' e Rolex de Presente

Segundo a investigação jornalística, a festa a bordo da embarcação foi organizada pelos empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, executivos da Precisa Medicamentos — empresa que representava a fabricante indiana Bharat Biotech nas negociações do imunizante Covaxin com o Ministério da Saúde.

A apuração detalha as engrenagens do encontro e os desdobramentos na época.

Com o auxílio do agente de viagens Raphael Barão, os empresários trouxeram três garotas de programa de São Paulo a Brasília. A festa durou cerca de quatro horas e meia e contou com consumo em restaurantes flutuantes da região;

 Flávio Bolsonaro compareceu ao evento ao lado de Alexandre Santini, antigo sócio do parlamentar na franquia de chocolates investigada no esquema de "rachadinhas" na Alerj;

A reportagem aponta que, ao término do passeio, Danilo Trento presenteou o senador com um relógio da marca Rolex;

Três meses após o evento, o senador abriu portas para que Maximiano fosse recebido pela presidência do BNDES em busca de financiamento para projetos no setor de telecomunicações.

A negociação da vacina Covaxin foi um dos pontos mais críticos da CPI da Covid no Senado.

O contrato acabou suspenso após o servidor Luis Ricardo Miranda relatar pressões atípicas dentro do Ministério da Saúde para a liberação dos documentos de importação. Durante as sessões da comissão, Flávio Bolsonaro atuou ostensivamente na defesa da atuação da Precisa Medicamentos.

Até o momento, o senador Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano não se manifestaram sobre o teor das revelações.

Em ocasiões anteriores, quando as primeiras denúncias de proximidade vieram à tona, Flávio negou manter relações comerciais ou financeiras com os representantes da empresa.

A publicação da reportagem a dez dias do pleito introduz um forte elemento de desgaste para a candidatura do PL.

Ao cruzar denúncias de lobby farmacêutico, descumprimento de regras sanitárias durante a pandemia e recebimento de regalias de alto valor, a matéria alimenta o discurso da campanha adversária no campo da ética pública e da gestão da crise de saúde.

Para o eleitorado indeciso, o resgate das polêmicas em torno da CPI da Covid e da compra de vacinas reacende memórias sensíveis do período pandêmico.

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