
Reportagem investigativa publicada pela revista piauí e repercutida no jornal Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (22 de outubro de 2026) aponta que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), participou de uma festa em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em julho de 2020, acompanhado por lobistas e garotas de programa.
O encontro teria ocorrido no momento em que o Brasil enfrentava um dos picos de mortes pela doença, sob rigorosas medidas de isolamento social e restrição de circulação decretadas em todo o país, antes da chegada das primeiras doses de vacina.
Articulação da Covaxin, 'Rachadinha' e Rolex de Presente
Segundo a investigação jornalística, a festa a bordo da embarcação foi organizada pelos empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, executivos da Precisa Medicamentos — empresa que representava a fabricante indiana Bharat Biotech nas negociações do imunizante Covaxin com o Ministério da Saúde.
A apuração detalha as engrenagens do encontro e os desdobramentos na época.
Com o auxílio do agente de viagens Raphael Barão, os empresários trouxeram três garotas de programa de São Paulo a Brasília. A festa durou cerca de quatro horas e meia e contou com consumo em restaurantes flutuantes da região;
Flávio Bolsonaro compareceu ao evento ao lado de Alexandre Santini, antigo sócio do parlamentar na franquia de chocolates investigada no esquema de "rachadinhas" na Alerj;
A reportagem aponta que, ao término do passeio, Danilo Trento presenteou o senador com um relógio da marca Rolex;
Três meses após o evento, o senador abriu portas para que Maximiano fosse recebido pela presidência do BNDES em busca de financiamento para projetos no setor de telecomunicações.
A negociação da vacina Covaxin foi um dos pontos mais críticos da CPI da Covid no Senado.
O contrato acabou suspenso após o servidor Luis Ricardo Miranda relatar pressões atípicas dentro do Ministério da Saúde para a liberação dos documentos de importação. Durante as sessões da comissão, Flávio Bolsonaro atuou ostensivamente na defesa da atuação da Precisa Medicamentos.
Até o momento, o senador Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano não se manifestaram sobre o teor das revelações.
Em ocasiões anteriores, quando as primeiras denúncias de proximidade vieram à tona, Flávio negou manter relações comerciais ou financeiras com os representantes da empresa.
A publicação da reportagem a dez dias do pleito introduz um forte elemento de desgaste para a candidatura do PL.
Ao cruzar denúncias de lobby farmacêutico, descumprimento de regras sanitárias durante a pandemia e recebimento de regalias de alto valor, a matéria alimenta o discurso da campanha adversária no campo da ética pública e da gestão da crise de saúde.
Para o eleitorado indeciso, o resgate das polêmicas em torno da CPI da Covid e da compra de vacinas reacende memórias sensíveis do período pandêmico.