
Estudantes da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental do Educandário Humberto de Campos (EHC), em Alto Paraíso de Goiás, participam, ao longo do segundo semestre de 2026, de um projeto que coloca a autoria infantil no centro dos processos de leitura e escrita. Por meio do Projeto SuperAutor, as crianças percorrem diferentes etapas de criação até transformarem suas produções em livros próprios, que serão apresentados à comunidade escolar em um evento de autógrafos previsto para 17 de dezembro.
Mais do que produzir um livro como resultado final, a proposta está sendo incorporada ao planejamento pedagógico de cada turma. As atividades envolvem leitura, oralidade, criação de personagens e narrativas, produção textual, ilustração, revisão e diferentes experiências relacionadas à linguagem, respeitando a faixa etária e os objetivos de aprendizagem de cada grupo.
No EHC, o projeto foi organizado para dialogar com o currículo desenvolvido pela escola. Na Educação Infantil, por exemplo, a autoria pode emergir da oralidade, da imaginação, do desenho e da construção coletiva de narrativas. À medida que as crianças avançam pelos anos iniciais, ampliam-se também as possibilidades de planejamento, escrita, revisão e organização dos textos, acompanhando o desenvolvimento de cada turma.
A proposta parte da compreensão de que aprender a escrever envolve mais do que dominar aspectos técnicos da língua. Quando uma criança percebe que aquilo que produz possui um leitor, uma finalidade e pode circular para além do caderno escolar, a escrita passa a ocupar outro lugar em sua experiência de aprendizagem.
"Quando a criança entende que aquilo que escreve tem um sentido, um leitor e um lugar no mundo, a relação com a escrita muda. No SuperAutor, nosso objetivo não é apenas chegar a um livro pronto, mas acompanhar todo o percurso de construção: imaginar, organizar ideias, escrever, reler, revisar e fazer escolhas. É nesse processo que a criança vai se reconhecendo como autora e compreendendo que sua palavra tem valor", afirma Adriana Riquena da Costa, coordenadora pedagógica do Educandário Humberto de Campos.
Autoria como parte do processo de alfabetização
Ao longo do projeto, a produção do livro funciona como um fio condutor para diferentes aprendizagens. O processo permite que as professoras observem avanços, dificuldades e possibilidades de intervenção durante a construção dos textos, em vez de concentrar a atenção apenas no resultado final.
O trabalho também favorece situações reais de leitura e escrita. Ao pensar em quem lerá sua história, decidir o que deseja comunicar, organizar ideias, escolher palavras e revisar aquilo que produziu, o estudante experimenta práticas que aproximam o aprendizado escolar dos usos sociais da linguagem.
"Quando o aluno tem a oportunidade de reler o que escreveu, ele começa a perceber por si mesmo o que precisa ser revisto. Muitas vezes, identifica que uma palavra não expressa exatamente aquilo que queria dizer e começa a buscar outros caminhos. Esse processo de revisão faz parte da construção da autoria. O papel do professor é fazer uma mediação cuidadosa, ajudando o estudante a pensar sobre o próprio texto sem simplesmente oferecer a resposta", explica Thamilis Menezes, professora do 5º ano do EHC.
Uma escola conectada ao território
O Projeto SuperAutor integra um conjunto mais amplo de práticas desenvolvidas pelo Educandário Humberto de Campos. Localizado na região da Chapada dos Veadeiros, o EHC busca articular o currículo escolar às experiências das crianças, à vida comunitária e ao território em que a escola está inserida.
Essa perspectiva aparece em projetos relacionados à educação ambiental, agroecologia, cultura, leitura, convivência e participação comunitária. A intenção é que os conteúdos previstos para cada etapa da escolarização possam ser trabalhados em situações significativas, sem perder de vista os conhecimentos e habilidades que precisam ser desenvolvidos ao longo da trajetória escolar.
Nesse contexto, a autoria também pode se aproximar das experiências vividas pelas crianças. Memórias, lugares, observações da natureza, histórias conhecidas, situações imaginadas e elementos do cotidiano podem ganhar novos sentidos quando transformados em narrativa.
"Queremos que nossos estudantes compreendam que aprender não é apenas receber um conhecimento pronto, mas participar ativamente da própria formação. Um projeto como esse materializa muito do que acreditamos como escola: a criança pesquisa, cria, faz escolhas, encontra dificuldades, refaz caminhos e, ao final, compartilha com a comunidade algo que traz a sua marca. Quando a família encontra essa criança no lugar de autora, também passa a enxergar de outra maneira aquilo que ela é capaz de construir", afirma João Henrique, diretor do Educandário Humberto de Campos.
Dos primeiros registros ao encontro com os leitores
Até dezembro, cada turma seguirá um percurso próprio de criação, acompanhado pelas professoras e pela equipe pedagógica. Depois das etapas de elaboração e finalização, as produções serão transformadas em livros.
O percurso culminará em 17 de dezembro, quando os estudantes participarão de um evento de autógrafos junto às famílias e à comunidade escolar. A atividade pretende marcar não apenas a conclusão do projeto, mas o encontro entre aquilo que foi produzido pelas crianças e seus leitores. Para isso a Escola abriu uma Vaquinha Online onde é possível fazer uma doação, este valor será destinado a confecção dos livros, a ideia é cada criança ter seu livro impresso.
Para os estudantes, será também a oportunidade de ocupar publicamente um lugar pouco comum durante a infância: o de autor.
O Educandário Humberto de Campos é uma escola particular filantrópica localizada em Alto Paraíso de Goiás e mantida pela Organização Social Cristã Espírita André Luiz (OSCAL). A instituição atende crianças da Educação Infantil aos anos iniciais do Ensino Fundamental e desenvolve sua proposta pedagógica em diálogo com o território, a comunidade e os processos de formação integral dos estudantes.