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PF deflagra operação contra desvio de emendas parlamentares no filme “Dark Horse”

Ação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão contra 29 investigados em quatro estados e no DF; deputado Mário Frias é um dos alvos e CGU aponta movimentações suspeitas de centenas de milhões de reais.

Por: Carlos Leen Fonte: Folha de SP
10/09/2026 às 10h54 Atualizada em 10/09/2026 às 11h02
PF deflagra operação contra desvio de emendas parlamentares no filme “Dark Horse”
OPERAÇÃO DA PF: A Polícia Federal deflagrou nesta quinta (10) operação contra desvios de emendas parlamentares no financiamento do filme “Dark Horse”.

 

A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou na manhã desta quinta-feira (10) uma operação de grande porte para desarticular um esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.

A apuração mira o financiamento do filme "Dark Horse", obra audiovisual baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ofensiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, relator do inquérito instaurado a partir de representação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).

Agentes federais cumprem 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Entre os 29 investigados estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), autor das emendas destinadas ao projeto, e a empresária Karina Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment e gestora do Instituto Conhecer Brasil (ICB).

O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), não é alvo dos mandados desta quinta-feira, embora continue figurando como investigado em procedimento paralelo sob a relatoria do ministro André Mendonça por solicitações de aportes financeiros ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Aprofundamento das Investigações e Conexão Paulistana

As apurações da PF e da CGU apontam a estruturação de uma organização criminosa que utilizava empresas subcontratadas sem comprovação de serviços para dissimular os desvios, com registros de movimentações financeiras de centenas de milhões de reais estendendo-se até julho deste ano:

  • Crimes Apurados: Peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações;

  • Avocação de Inquéritos por Flávio Dino: O ministro do STF puxou para a Corte as investigações da Polícia Civil de São Paulo que apuravam o direcionamento de recursos de um contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo (gestão Ricardo Nunes) com o ICB para a produção da obra cinematográfica;

  • Manifestação da Defesa: Em declaração à imprensa, Karina Gama afirmou que a aplicação dos recursos ocorreu de forma correta e negou irregularidades.

O avanço da operação ocorre no dia seguinte à decisão do STF que pacificou a manutenção do delegado Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal, evitando a interrupção das diligências em curso.

Análise 

A deflagração da operação da PF sob a chancela de Flávio Dino atinge em cheio a narrativa da oposição conservadora na reta final da campanha presidencial.

Ao demonstrar o uso de emendas parlamentares e verbas de contratos municipais para financiar uma obra cinematográfica do ex-presidente Jair Bolsonaro, a investigação traz a pauta do combate à corrupção para o centro do debate eleitoral.

Para a candidatura de Flávio Bolsonaro, a operação representa um duplo desgaste.

Embora não seja alvo direto das buscas desta fase, o senador vê a produção do filme vinculada novamente ao escândalo do Banco Master e às conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A ação da PF valida a estratégia do Palácio do Planalto e de Flávio Dino de blindar a autonomia da Polícia Federal, transformando os achados periciais em munição direta no horário eleitoral da base governista.

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