Sábado, 10 de Outubro de 2026
18°C 30°C
São Paulo, SP
Publicidade

Logística ultraexpressa vira rotina estratégica no B2B

Os aeroportos brasileiros movimentaram 673,6 mil toneladas de carga aérea no primeiro semestre de 2026, alta de 1,4% ante o mesmo período de 2025. O avanço, embora discreto no volume total, esconde uma mudança estrutural: as exportações por via aé...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
24/08/2026 às 16h38
Logística ultraexpressa vira rotina estratégica no B2B
Divulgação/Prestex

O transporte aéreo de cargas e as operações de logística ultraexpressa consolidaram uma virada no perfil do consumo corporativo brasileiro. O que há dez anos era tratado predominantemente como recurso emergencial, "tapa-buraco", para corrigir falhas de planejamento ou emergências pontuais, transformou-se em rotina operacional permanente na busca por eficiência, previsibilidade e produtividade industrial.

A transição reflete-se nos dados do setor. Segundo o Painel de Indicadores da Carga Aérea (Plataforma Hórus), mantido pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), os aeroportos brasileiros movimentaram 673,6 mil toneladas de carga no primeiro semestre de 2026. O movimento internacional respondeu por 448,2 mil toneladas no período, enquanto as operações domésticas somaram 225,4 mil toneladas. Outro dado que chama a atenção é o crescimento de 43% nas exportações por via aérea no primeiro trimestre de 2026, somando US$ 5,8 bilhões, em meio a um aumento de 18,3% no transporte cargueiro doméstico específico.

Da contenção de danos à alavanca de capital de giro

A urgência no ambiente corporativo B2B ganhou contornos econômicos diretos. Em setores altamente intensivos em capital, como automotivo, farmacêutico, tecnologia e agronegócio, o custo de manter uma linha de produção parada, o tempo de máquina parada (downtime), supera em muito o investimento em um frete de altíssima velocidade. Além disso, a capacidade de repor insumos em prazos calculados em horas permite que as companhias operem com estoques drasticamente enxutos.

"Há dez anos, a logística expressa era uma resposta reativa a emergências. Hoje, ela se consolidou como um braço estratégico das indústrias nas operações de logística. A velocidade deixou de ser um luxo e virou motor de produtividade. Nenhuma decisão operacional é tomada sem considerar prazo, previsibilidade e a visibilidade de ponta a ponta da carga. O cliente se acostumou com essa experiência como consumidor (B2C) e passou a exigir o mesmo nível de agilidade, rastreabilidade e confiabilidade nas operações entre empresas (B2B)", ressaltou o especialista em logística ultraexpressa, Marcelo Zeferino, CCO da Prestex.

Novas fronteiras e resiliência operacional

Embora os setores de manufatura e saúde continuem sendo os principais na alta criticidade para transporte de cargas, a busca pela logística ultraexpressa tem avançado no agronegócio, para remessa urgente de insumos e peças de maquinário, e na infraestrutura de grandes eventos esportivos, musicais e corporativos. Principalmente nestes segmentos, falhas de cronograma geram prejuízos financeiros vultosos, exigindo soluções customizadas que funcionem como garantias de continuidade operacional.

A Prestex, especialista no segmento, fechou 2025 superando 130 mil operações, volume 27% superior ao de 2024, e manteve o índice de entregas no prazo (SLA) acima de 99%. O desempenho reforça a leitura de que a modalidade ultraexpressa deixou de ser exceção e virou rotina nas cadeias B2B.

Logística do Futuro

Essa transformação no papel da logística ultraexpressa será o tema central de um dos painéis de maior destaque do evento Logística do Futuro, no dia 9 de setembro, das 12h15 às 12h50. O painel reunirá Leandro Stumpf, diretor da Vivo, Marcelo Zeferino, CCO da Prestex, e Vanessa Azevedo, da dss+, que debaterão como a logística ultraexpressa vem ganhando espaço como estratégia de continuidade operacional e supply chain.

Tendência e termômetro da atividade econômica

Historicamente, a movimentação de cargas no Brasil e no mundo atua como um indicador que antecede os ciclos econômicos. O fortalecimento do modal aéreo antecipa a retomada de investimentos industriais e a aceleração do comércio B2B, indicando que a modalidade ultraexpressa passa a ocupar um espaço permanente na matriz de transporte e planejamento das grandes empresas brasileiras.

"Assim como hoje falamos de armazenagem, cross-docking, transporte rodoviário, ferroviário, aéreo e cabotagem, a modalidade ultraexpressa deixará de ser vista como uma operação excepcional para integrar a estratégia operacional das empresas", avaliou Marcelo Zeferino.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Gemini
Tecnologia Há 7 horas

Industrialização e IA transformam construção civil

Inteligência artificial, BIM, Lean Construction e fabricação de componentes fora do canteiro modificam o planejamento, a execução e o controle de empreendimentos imobiliários, em um movimento voltado à produtividade, à padronização e à redução de ...

Tecnologia Há 9 horas

Jadlog amplia automação da triagem com sorter Pitney Bowes

A Jadlog instalou dois sorters da Pitney Bowes nas unidades do Rio de Janeiro e de Betim (MG). Os equipamentos processam até 5 mil pacotes por hora e 60 classificações simultâneas, buscando acelerar a triagem, reduzir erros e melhorar a previsibil...

Canva
Tecnologia Há 9 horas

Especialista alerta: a proteção vai além da marca

Embalagem copiada, software sem dono e fórmula levada por ex-funcionário são situações comuns que o registro de marca não resolve; especialista explica como evitar o prejuízo

João Rosa
Tecnologia Há 10 horas

Tecno it mira em crescimento e novos negócios em 2027

A Tecno it, empresa brasileira de tecnologia com mais de duas décadas de atuação, projeta para 2027 uma nova fase de expansão, com investimentos em inteligência artificial, data centers e cidades inteligentes. O movimento ocorre meses após a concl...

Imagem do Magnific/fanjianhua
Tecnologia Há 10 horas

Bancos elevam orçamento de tecnologia a R$ 50,4 bi em 2026

Levantamento da Febraban com a Deloitte destina R$ 3 bilhões a IA, Analytics e Big Data. Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, avalia que o retorno desses recursos depende da conexão entre dados, sistemas e participantes das relações come...