Sábado, 10 de Outubro de 2026
18°C 30°C
São Paulo, SP
Publicidade

Seis em cada dez empresas sofreram ataques cibernéticos

Levantamento mostra que 62% das organizações no Brasil registraram incidentes de segurança em 2025, percentual superior à média latino-americana (5...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
14/08/2026 às 19h05
Seis em cada dez empresas sofreram ataques cibernéticos
Eset Brasil

O Brasil segue entre os países mais expostos às ameaças cibernéticas na América Latina, mas o aumento dos ataques é apenas parte do problema. A dificuldade de identificar incidentes e compreender a própria superfície de risco também preocupa especialistas. É o que revela o ESET Security Report 2026, levantamento realizado pela ESET com profissionais de cibersegurança da região.

Segundo o estudo, 62% das organizações brasileiras registraram ao menos um incidente de segurança nos últimos 12 meses, índice superior à média latino-americana, de 52,7%. Ao mesmo tempo, 14,7% das empresas entrevistadas afirmam não conseguir confirmar se sofreram ou não tentativas de ataque, o que evidencia limitações na capacidade de monitoramento dos ambientes corporativos. Para a ESET, esse cenário amplia o risco de incidentes passarem despercebidos e compromete a tomada de decisões em segurança da informação.

A preocupação aumenta quando se observa que, entre as organizações que afirmam não ter identificado ataques, 43,3% das empresas brasileiras acreditam que podem ter sido comprometidas sem perceber, justamente pela ausência de tecnologias capazes de detectar atividades maliciosas. A conclusão do relatório é que aproximadamente quatro em cada dez empresas da América Latina ainda não dispõem da visibilidade necessária para avaliar com precisão sua postura de cibersegurança, identificar ameaças e responder rapidamente a incidentes.

Quando um ataque é detectado, o phishing permanece como a principal porta de entrada para os criminosos. O levantamento mostra que 70,9% das empresas brasileiras que registraram incidentes foram alvo de golpes de engenharia social, superando outros vetores como acessos não autorizados (44,3%), infecções por malware (41,8%), exploração de vulnerabilidades (49,4%) e sequestro ou vazamento de informações (11,4%). Os dados indicam que, embora as técnicas utilizadas pelos criminosos evoluam continuamente, a exploração da confiança dos usuários segue como um dos caminhos mais eficazes para comprometer ambientes corporativos.

"Os dados mostram que o desafio das empresas não está apenas em impedir os ataques, mas em conseguir enxergá-los. Quanto menor a visibilidade sobre o ambiente, maior a chance de um invasor permanecer ativo por mais tempo sem ser identificado. Ao mesmo tempo, o phishing continua sendo extremamente eficiente porque explora o fator humano e acompanha a transformação digital das organizações, utilizando comunicações cada vez mais convincentes para obter acesso a credenciais e sistemas corporativos", afirma Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET no Brasil.

Manufatura, Educação e Governo estão entre os setores mais visados

A distribuição dos ataques também varia conforme o setor econômico, indicando que diferentes segmentos enfrentam desafios específicos de cibersegurança. Na Manufatura, por exemplo, 58,3% das empresas relataram incidentes de segurança, e o setor também registra uma das maiores incidências de phishing (85,7%). Já no setor Bancário e Financeiro, dois terços das instituições afirmaram ter sofrido ataques ao longo do último ano, reforçando que organizações com operações críticas seguem entre os principais alvos dos cibercriminosos.

Em áreas que concentram grande volume de dados sensíveis, como Governo, Educação e Saúde, o levantamento aponta um cenário igualmente desafiador. Nas instituições de ensino, o phishing se consolida como o principal vetor de ataque, enquanto, no setor de Saúde, o estudo chama atenção para a possibilidade de subnotificação de incidentes, o que pode indicar dificuldades na identificação e no monitoramento de ameaças dentro dos próprios ambientes corporativos.

Para a ESET, o aumento dos incidentes e a dificuldade de parte das empresas em identificar ataques demonstram que a cibersegurança deixou de ser apenas uma questão de prevenção. Hoje, reduzir o tempo de detecção e resposta é tão importante quanto impedir que uma invasão aconteça.

Nesse cenário, investir em monitoramento contínuo, inteligência de ameaças, atualização constante dos sistemas e conscientização dos colaboradores torna-se fundamental para ampliar a visibilidade sobre o ambiente corporativo e fortalecer a capacidade das organizações de responder a incidentes antes que eles causem impactos mais severos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Gemini
Tecnologia Há 9 horas

Industrialização e IA transformam construção civil

Inteligência artificial, BIM, Lean Construction e fabricação de componentes fora do canteiro modificam o planejamento, a execução e o controle de empreendimentos imobiliários, em um movimento voltado à produtividade, à padronização e à redução de ...

Tecnologia Há 11 horas

Jadlog amplia automação da triagem com sorter Pitney Bowes

A Jadlog instalou dois sorters da Pitney Bowes nas unidades do Rio de Janeiro e de Betim (MG). Os equipamentos processam até 5 mil pacotes por hora e 60 classificações simultâneas, buscando acelerar a triagem, reduzir erros e melhorar a previsibil...

Canva
Tecnologia Há 11 horas

Especialista alerta: a proteção vai além da marca

Embalagem copiada, software sem dono e fórmula levada por ex-funcionário são situações comuns que o registro de marca não resolve; especialista explica como evitar o prejuízo

João Rosa
Tecnologia Há 11 horas

Tecno it mira em crescimento e novos negócios em 2027

A Tecno it, empresa brasileira de tecnologia com mais de duas décadas de atuação, projeta para 2027 uma nova fase de expansão, com investimentos em inteligência artificial, data centers e cidades inteligentes. O movimento ocorre meses após a concl...

Imagem do Magnific/fanjianhua
Tecnologia Há 12 horas

Bancos elevam orçamento de tecnologia a R$ 50,4 bi em 2026

Levantamento da Febraban com a Deloitte destina R$ 3 bilhões a IA, Analytics e Big Data. Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, avalia que o retorno desses recursos depende da conexão entre dados, sistemas e participantes das relações come...