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IDEB 2025 melhora nas três etapas da educação básica

Brasil melhora no IDEB 2025, mas desempenho varia conforme as etapas da educação básica, os estados e as redes de ensino

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
11/08/2026 às 13h03
IDEB 2025 melhora nas três etapas da educação básica
Imagem gerada pelo ChatGPT

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar o desempenho da educação básica brasileira. Criado em 2007, ele combina dados sobre a aprendizagem dos estudantes e o fluxo escolar, permitindo acompanhar a evolução das redes de ensino ao longo do tempo. Os resultados de 2025 mostram uma melhora do Brasil nas três principais etapas avaliadas. Ao mesmo tempo, revelam que o desempenho diminui conforme os estudantes avançam pela trajetória escolar e que permanecem diferenças importantes entre redes e estados.

Segundo o balanço oficial do IDEB 2025 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o indicador nacional chegou a 6,3 nos anos iniciais do ensino fundamental, 5,3 nos anos finais e 4,5 no ensino médio. Em 2023, os resultados haviam sido de 6,0, 5,0 e 4,3, respectivamente. Considerando apenas a rede pública, o IDEB de 2025 ficou em 6,1 nos anos iniciais, 5,0 nos anos finais e 4,3 no ensino médio.

IDEB considera aprendizagem e fluxo escolar

De acordo com a metodologia do IDEB apresentada pelo Inep, o indicador combina o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com dados de aprovação obtidos por meio do Censo Escolar.

Isso significa que o IDEB considera simultaneamente aprendizagem e trajetória escolar. Uma rede com altas taxas de aprovação, mas baixo desempenho nas avaliações, por exemplo, não necessariamente alcançará um índice elevado. A combinação permite acompanhar a evolução da educação ao longo dos anos, mas exige atenção ao interpretar os resultados, especialmente nas comparações entre diferentes redes e etapas de ensino.

Resultados diminuem ao longo da trajetória escolar

Os anos iniciais do ensino fundamental apresentaram o maior IDEB nacional em 2025, com 6,3. Nos anos finais, o resultado foi de 5,3, enquanto o ensino médio registrou 4,5. Embora todas as etapas tenham avançado em relação a 2023, existe uma diferença de 1,8 ponto entre os anos iniciais e o ensino médio.

O cenário mostra que a melhora registrada no início da trajetória escolar não se mantém no mesmo patamar nas etapas seguintes e reforça a necessidade de atenção aos anos finais do ensino fundamental e, principalmente, ao ensino médio.

Resultados variam entre estados e redes

A média nacional também não representa de maneira uniforme a realidade da educação brasileira. Os resultados variam entre unidades da Federação e conforme a dependência administrativa das escolas. Por isso, comparações precisam considerar se o indicador corresponde ao conjunto das redes ou especificamente às escolas públicas, estaduais ou municipais.

Santa Catarina ilustra essas diferenças. No resultado agregado de 2025, o estado alcançou 6,7 nos anos iniciais, 5,4 nos anos finais e 4,5 no ensino médio. O estado ficou acima da média brasileira nas duas etapas do ensino fundamental e no mesmo patamar nacional no ensino médio. Entretanto, uma análise dos resultados de Santa Catarina no IDEB 2025 mostra que o cenário muda quando a rede estadual é observada separadamente do resultado geral, que também é influenciado pelos resultados das redes municipais, estaduais e privadas.

Ou seja, as diferenças entre redes e territórios mostram por que o resultado nacional precisa ser interpretado como uma visão geral, e não como uma representação uniforme das condições educacionais encontradas em todo o país.

Educação de qualidade vai além dos indicadores

Os resultados do IDEB ajudam a acompanhar a educação brasileira, mas a discussão sobre qualidade não se limita ao desempenho medido pelos indicadores. A compreensão da educação de qualidade como um direito humano envolve também acesso, permanência, inclusão, equidade e condições para que as pessoas aprendam e se desenvolvam.

Para Francine Canto Boico, presidente da Rede Conecta Saberes, os avanços apontados pelos indicadores precisam ser acompanhados desse olhar mais amplo sobre o impacto da educação na vida das pessoas.

"Educação não é apenas aprender conteúdos. É também aprender a pensar, conhecer seus direitos, conviver com as diferenças e ter condições de participar da sociedade. Por isso, quando falamos em educação de qualidade, estamos falando de um direito que ajuda as pessoas a exercer muitos outros direitos", afirma. 

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