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Inteligência artificial cria o assessor estratégico

Em um mercado saturado de textos robóticos, o conhecimento estratégico do assessor de imprensa vira o escudo real da reputação. O algoritmo varre d...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
03/08/2026 às 12h15
Inteligência artificial cria o assessor estratégico
Unsplash

A rápida evolução da inteligência artificial generativa transformou radicalmente a rotina das agências de comunicação e dos departamentos de relações públicas em todo o mundo. De acordo com o relatório global State of AI in PR, desenvolvido pela plataforma Muck Rack, cerca de 76% dos profissionais de relações públicas (PR) e assessoria de imprensa já utilizam ferramentas de inteligência artificial em suas atividades diárias.

O estudo aponta que a automação de determinadas tarefas, como escrever um press release ou fazer o clipping de notícias, gera uma economia média de 6,2 horas semanais por profissional. Essa liberação de tempo operacional vem acelerando uma mudança estrutural no mercado global, fazendo com que o profissional de comunicação se capacite para assumir em definitivo o papel de conselheiro estratégico das empresas que atende.

Essa transição do perfil técnico para o consultivo reflete debates das maiores entidades de comunicação do planeta. Em painéis promovidos pela Arthur W. Page Society, associação global de executivos de comunicação, são discutidos os impactos da perda de controle sobre os canais tradicionais de mídia e a necessidade de profissionais capazes de gerenciar o diálogo e a confiança no ambiente digital.

Da mesma forma, análises publicadas pela ADWEEK em parceria com a consultoria Burson destacam a ascensão do comunicador como um "assessor estratégico" essencial dentro do comitê de tomada de decisões das grandes marcas corporativas, uma vez que algoritmos carecem de sensibilidade política, ética e contextual para prever crises reputacionais complexas.

No cenário nacional, esse movimento exige rigor crítico para diferenciar a eficiência tecnológica da mera negligência profissional. Conforme alerta a jornalista e palestrante especialista em comunicação corporativa Heloísa Paiva, idealizadora da palestra O Patrimônio Invisível das Empresas, delegar a redação final integralmente aos algoritmos desvaloriza todo o diagnóstico feito com o cliente. "Não faz sentido nos reunirmos com a diretoria, estudarmos o mercado e compreendermos as dores profundas da marca para, no final, ver profissionais terceirizando a escrita inteira para um robô. Isso é preguiça profissional", pontua.

Para a especialista, que está à frente da agência Press Página há 25 anos, o processo deve ser de parceria: a tecnologia fornece dados atualizados, mas é o conhecimento humano aplicado que molda a estratégia. "É exatamente essa leitura profunda e o olhar personalizado sobre as fraquezas internas da empresa que diferenciam o assessor consultivo da máquina, tornando-o o único profissional capaz de desenhar uma governança de imagem eficiente".

O impacto financeiro dessa mudança consultiva é mensurável e afeta diretamente o valor das companhias no mercado. Dados históricos da consultoria financeira Ocean Tomo demonstram que os ativos intangíveis, categoria que engloba a reputação e a propriedade intelectual, respondem atualmente por mais de 90% do valor de mercado das empresas listadas no índice S&P 500.

Diante de um ecossistema digital em que mentiras automatizadas e deepfakes se propagam em alta velocidade, o monitoramento de riscos tornou-se uma prioridade financeira. O relatório global da Weber Shandwick, publicado em 2020, complementa esse panorama ao revelar que executivos de diversos países atribuem mais de 60% do valor de suas organizações exclusivamente à força da reputação corporativa. O dado reforça a necessidade de assessores que atuem na governança preventiva e na proteção desse patrimônio invisível, muito além do envio de notícias.

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