
O deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), reconhecido como uma das principais lideranças na articulação política e condução tática do grupo dinista, reafirmou publicamente a sua aposta total no projeto do vice-governador Felipe Camarão (PT) na disputa pelo Palácio dos Leões.
Em declaração ao podcast do jornalista Webert Saraiva, que movimentou os bastidores eleitorais do estado, o dirigente comunista abordou com transparência a engenharia do grupo, admitindo que o nome do deputado federal Rubens Pereira Júnior (PT) chegou a figurar como o plano de consenso interno em dado momento.
No entanto, selada a escolha em torno de Camarão, Jerry acionou a estrutura do PCdoB para conter a dispersão de bases e acelerar a presença do pré-candidato no interior.
Questionado sobre diálogos e alinhamentos velados de prefeitos de sua base com a pré-candidatura do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), Márcio Jerry desdramatizou as movimentações periféricas e demonstrou confiança na tração que a campanha ganhará no asfalto:
“O Felipe Camarão vai percorrer esse Maranhão, vai crescer e vai disputar uma vaga no segundo turno”, cravou o parlamentar.
Análise
A postura adotada por Márcio Jerry ao admitir abertamente a preferência pregressa por Rubens Jr., ao mesmo tempo em que fecha fileiras de forma irrestrita em torno de Felipe Camarão, reflete a visão pragmática do PCdoB maranhense.
A estratégia de minimizar o "assédio" de Braide sobre prefeitos do interior é um movimento calculado para evitar o efeito contágio e a debandada de lideranças locais. Jerry sabe que a dinâmica da política municipal maranhense costuma oscilar até o afunilamento das convenções e que prefeitos tendem a flertar com múltiplos atores até que a temperatura das ruas defina a competitividade real de cada postulação.
Ao cravar que Camarão estará no segundo turno, o cacique do PCdoB manda um recado direto à militância e aos prefeitos indecisos: a estrutura do PT e o legado de Lula/Flávio Dino não assistirão à eleição da bancada de reservas.