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Roubo de cargas muda de perfil e mira medicamentos

Especialistas explicam como inteligência operacional, tecnologia e monitoramento preventivo se tornaram decisivos na proteção de cargas de alto val...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
29/07/2026 às 19h37
Roubo de cargas muda de perfil e mira medicamentos
Imagem gerada por IA/ChatGPT

O roubo de cargas no Brasil deixou de priorizar o volume das mercadorias e passou a mirar produtos de alto valor agregado e fácil revenda, com os medicamentos assumindo o protagonismo entre os alvos das quadrilhas. De acordo com duas pesquisas encomendadas pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares (Abradimex), o setor de distribuição de medicamentos especializados enfrentou prejuízos de R$ 283 milhões em 2024 devido ao roubo de cargas.

Apesar de corresponderem a apenas 2% do total de cargas roubadas no Brasil, os produtos farmacêuticos atraem a atenção de criminosos por causa de seu elevado valor, dificuldade de rastreamento e facilidade de revenda no mercado informal. O efeito no setor ultrapassa a perda direta de produtos: há um aumento nos custos operacionais e logísticos, além da exigência de implementar medidas de segurança cada vez mais rigorosas.

Para Ivan Amadeu Silveira, diretor-executivo da empresa Cargosoft, a mudança combina fatores econômicos e de mercado. Ele aponta que o alto valor agregado das cargas, a facilidade de comercialização e a crescente demanda por canetas emagrecedoras ajudam a explicar por que os medicamentos entraram na mira das organizações criminosas.

Da localização à antecipação

Esse novo perfil de risco exige mais do que rastreamento, segundo o executivo, e transfere o foco da simples localização do veículo para a antecipação de eventos. "Precisamos adotar uma abordagem mais integrada, combinando tecnologia, inteligência de dados e ações preventivas. Isso também passa por uma gestão rigorosa, com recrutamento e seleção criteriosos dos profissionais, treinamento contínuo das equipes e compartilhamento de informações entre embarcadores, transportadores e seguradoras", sugere Ivan.

De acordo com Jones Ghisi, diretor de operações da GR Parceria, empresa responsável por fazer o gerenciamento de riscos das operações da Cargosoft, utiliza-se a inteligência operacional para identificar riscos antes que se convertam em ocorrências. "A estratégia combina monitoramento ostensivo 24 horas por dia, sete dias por semana, e uma central redundante, dedicada a operações de alto risco em uma célula independente", afirma.

No segmento farmacêutico, em que as cargas reúnem elevado valor financeiro e forte impacto social, acentua o executivo, a companhia reforça a validação de motoristas e veículos, a gestão documental, o planejamento de rotas, a definição de pontos seguros de parada e o acompanhamento das operações mais críticas.

"Os principais desafios hoje estão relacionados à combinação entre cargas de alto valor agregado, operações mais pulverizadas e a sofisticação das organizações criminosas", diz Jones Ghisi. Segundo ele, o maior obstáculo para embarcadores e operadores logísticos é equilibrar eficiência e segurança, já que o mercado exige entregas cada vez mais rápidas sem que a agilidade comprometa os controles de risco.

Jones Ghisi defende uma estratégia integrada de prevenção que reúne planejamento seguro de rotas, monitoramento em tempo real, telemetria, videomonitoramento com inteligência artificial (IA), validação contínua de motoristas e veículos e protocolos de resposta rápida.

Olhando para os próximos meses, o diretor projeta um roubo de cargas ainda mais seletivo, planejado e orientado por inteligência, com as quadrilhas mantendo o foco em produtos de alta liquidez, como medicamentos, eletrônicos, defensivos agrícolas e alimentos premium, sobretudo em operações urbanas, centros de distribuição e na última milha.

Ivan avalia que a ampliação do uso de IA e de análise preditiva, integrando telemetria, videomonitoramento, rastreamento e análise comportamental do motorista, permitirá identificar padrões e antecipar situações críticas antes que evoluam para um sinistro.

"A tecnologia só produz resultado quando acompanhada de processos bem definidos e equipes capacitadas, o que torna a qualificação dos motoristas, o planejamento de rotas e as centrais de segurança operacional em funcionamento contínuo elementos decisivos para reduzir perdas e aumentar a resiliência das operações", conclui.

Sobre a Cargosoft, parceira da GR Parceria

Fundada em 2002, a Cargosoft é uma operadora logística brasileira especializada no transporte de cargas de alto valor e no atendimento ao setor farmacêutico. Com sede em Colombo (PR) e atuação nacional, a empresa tem foco em segurança, tecnologia e transporte climatizado.

Para saber mais, basta acessar: https://grparceria.com.br/

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