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Maturidade orçamentária é ferramenta estratégica de gestão

Estudos apontam que companhias mais maduras já utilizam dados integrados, participação de gestores e tecnologia para fortalecer a competitividade

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
21/07/2026 às 18h03
Maturidade orçamentária é ferramenta estratégica de gestão
Imagem do Magnific

O orçamento corporativo tem passado por uma transformação significativa nos últimos anos, deixando de ser visto apenas como um exercício anual de controle de despesas para se tornar uma ferramenta estratégica de gestão. Essa evolução, ligada à maturidade financeira das organizações, à integração de dados e à participação ativa de gestores, tem sido capaz de orientar decisões de longo prazo e sustentar a competitividade das empresas. Uma pesquisa realizada pela EY Brasil aponta que apenas 27% das empresas entrevistadas conseguem alinhar seus objetivos estratégicos ao orçamento, o que revela um grande espaço para evolução. No entanto, o estudo mostra que 65% das companhias ainda utilizam o Excel como principal ferramenta de formulação orçamentária, limitando a confiabilidade e a integração das informações. Outro levantamento, realizado pela Deloitte, conclui que apenas uma parcela das empresas pesquisadas alcança práticas avançadas de planejamento e forecast. O estudo destaca que organizações mais maduras adotam processos contínuos de revisão orçamentária (rolling forecast), integração entre áreas e governança de dados, o que lhes permite responder de forma mais ágil a cenários de instabilidade. De acordo com Pedro Wilbert, controller da Vedamotors, os principais sinais de evolução no controle de gastos aparecem quando o orçamento deixa de ser apenas um registro contábil e passa a embasar decisões estratégicas.

"A empresa busca se proteger dos problemas externos, visando mais competitividade em relação à margem, EBITDA, ponto de equilíbrio e geração de caixa. O orçamento passa a estar amarrado ao planejamento estratégico da empresa e não a ser apenas um exercício financeiro anual isolado", explica.

Entre os erros mais comuns, projeções superficiais e orçamentos anuais sem revisões periódicas podem levar a empresa a perder a capacidade de ajustar o rumo diante de mudanças externas. Segundo Tamiris Wonschewski, gerente de controladoria do Grupo CSM, um planejamento orçamentário precisa de dinamismo e estar em constante evolução e atualização para acompanhar as influências do mercado. Kátia Vargas, responsável pelo setor financeiro da Movtech, empresa especializada em desenvolvimento de sistemas de planejamento estratégico, acrescenta que a falta de indicadores claros também pode comprometer a credibilidade das informações. "Sem ferramentas adequadas, o orçamento vira apenas um registro contábil, e não uma base para decisões estratégicas", afirma.

A participação dos gestores é apontada como fator decisivo para aumentar a assertividade do planejamento. Julio Domingos, especialista em Customer Experience & Success da empresa, informa que o orçamento colaborativo cria pertencimento e accountability. "Quando o gestor participa da projeção e sabe que deverá justificar desvios, ele se torna agente ativo do processo. Isso reduz o tempo de fechamento e análise, além de antecipar riscos", ressalta.

Apesar dos avanços, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para integrar dados, indicadores e metas em um único processo. Segundo Marcelo Ortega, CTO na MOTZ, Sequoia, DFS Holding, Natura e Gradiente, "a tecnologia da informação atua como protagonista na robustez de qualquer negócio, inclusive na construção orçamentária".

"A confiança na informação é a maior dor atual. Sem base qualificada, a tecnologia não entrega valor", pontua Wilbert. Em consonância, a pesquisa da EY Brasil mostra que o uso de inteligência artificial pode aumentar em até 30% a eficiência dos processos de FP&A, automatizando coleta de dados, análises de variações e geração de relatórios.

Para empresas que desejam amadurecer sua gestão orçamentária, os especialistas da Movtech recomendam passos iniciais como criar uma área de controladoria e FP&A forte, centralizar premissas macro (inflação, câmbio, reajustes), implementar revisões frequentes e forecast contínuo, além de investir em um sistema orçamentário. Evandro Marcos Lima, que atua na área de custos e controladoria do Grupo Malwee, complementa: "As ferramentas orçamentárias são fundamentais para se planejar, estabelecer metas e definir até onde se quer chegar e quanto de recurso você tem para poder atingir seus objetivos".

"Os quick wins podem vir do controle de despesas por centro de custo, com justificativa obrigatória para cada desvio. É simples, gera resultado rápido e visível", frisa Vargas.

As tendências apontam para orçamentos cada vez mais automatizados e participativos, uso de inteligência artificial generativa para análise de desvios, adoção de múltiplos cenários (scenario planning) e integração entre áreas operacionais e financeiras (xP&A). Segundo a pesquisa da PagCorp, o ano de 2026 simboliza a consolidação de um movimento em que a tecnologia deixa de ser uma ferramenta para se tornar o próprio ecossistema de trabalho.

Domingos avalia que o futuro do planejamento orçamentário será marcado pela democratização dos dados e pela tomada de decisão em tempo real. "Gestores mais antenados aos impactos de suas projeções, ao utilizarem soluções com IA, buscarão um nível maior de assertividade em seus resultados. O orçamento por cenários será padrão, atualizado continuamente, e a integração entre áreas permitirá decisões mais rápidas e consistentes", conclui.

Para saber mais, basta acessar: https://www.movtech.com.br/

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