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Fake news em saúde: perigo que pode matar

Fake news na saúde representam um risco crescente, podendo levar à automedicação, abandono de tratamentos e atraso no diagnóstico de doenças. A cha...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
21/07/2026 às 13h55
Fake news em saúde: perigo que pode matar
Magnific

Uma receita caseira que promete curar diabetes, um vídeo afirmando que vacinas fazem mal, um influenciador indicando medicamentos sem comprovação científica ou mensagens compartilhadas em aplicativos de conversa anunciando uma "cura definitiva" para o câncer. Esse tipo de conteúdo circula diariamente na internet e pode parecer inofensivo, mas representa um dos maiores desafios atuais para a saúde pública.

A facilidade de produzir e compartilhar informações fez crescer também a disseminação das chamadas fake news em saúde. Quando o assunto envolve doenças, medicamentos ou tratamentos, acreditar em informações falsas pode levar à automedicação, ao abandono de terapias prescritas e ao atraso na busca por atendimento médico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica esse cenário como uma "infodemia", caracterizada pelo excesso de informações — verdadeiras e falsas — que dificulta a identificação de conteúdos confiáveis e compromete a tomada de decisões relacionadas à saúde.

Segundo o médico Lucas Moser, a desinformação costuma explorar justamente momentos de vulnerabilidade.

"Buscar informações de fontes não confiáveis para tentar aliviar ou descobrir razões de sintomas leves é um grave erro e pode trazer muitos problemas. Ficam ainda mais suscetíveis a acreditar em promessas sem comprovação científica aqueles indivíduos com medo ou diante de um diagnóstico grave tentando procurar soluções rápidas ou cura", declara o médico.

O perigo das soluções milagrosas

Boa parte das notícias falsas utiliza linguagem simples, frases de impacto e promessas extraordinárias. Expressões como "os médicos não querem que você saiba", "cura definitiva" ou "tratamento natural que elimina qualquer doença" são frequentes e despertam curiosidade.

Entretanto, na medicina, tratamentos eficazes são resultado de anos de pesquisa, estudos clínicos e avaliações rigorosas antes de serem recomendados à população.

"O conhecimento científico é construído com evidências. Nenhuma descoberta séria surge apenas por um vídeo nas redes sociais ou por um relato isolado de um paciente", explica Dr. Lucas Moser.

Ele ressalta que experiências individuais não comprovam a eficácia de um tratamento e que cada organismo responde de forma diferente às doenças e aos medicamentos, por isso a importância de ter um acompanhamento médico individualizado.

Consequências que vão além da desinformação

As fake news produzem impactos concretos na saúde da população. Entre os principais riscos estão o abandono de tratamentos prescritos, a automedicação, o uso indiscriminado de suplementos e medicamentos, a resistência às vacinas e o atraso no diagnóstico de doenças potencialmente graves.

Durante a pandemia de Covid-19, esse fenômeno ficou evidente, mas o problema permanece presente em diversas áreas, como oncologia, endocrinologia, cardiologia, neurologia e saúde mental, além de temas como vacinação e emagrecimento. Segundo o Dr. Lucas Moser, um dos comportamentos mais preocupantes ocorre quando o paciente decide interromper o tratamento por conta própria. "Abandonar medicamentos prescritos ou substituí-los por terapias sem comprovação pode agravar doenças e reduzir as chances de sucesso do tratamento", ressalta.

Como identificar uma notícia falsa

Pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com mais de 40 mil pessoas em 21 países mostrou que os participantes conseguiram diferenciar informações verdadeiras de falsas em apenas cerca de 60% das situações, revelando que muitas pessoas superestimam sua capacidade de reconhecer fake news.

Embora nem sempre seja fácil diferenciar um conteúdo verdadeiro de outro falso, alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de cair na desinformação.

O primeiro passo é verificar quem publicou a informação. Instituições como o Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e sociedades médicas costumam divulgar conteúdos baseados em evidências científicas.

Também é importante desconfiar de promessas de cura rápida, tratamentos que afirmam funcionar para diversas doenças ao mesmo tempo ou mensagens que incentivam o compartilhamento urgente sem apresentar fontes confiáveis. Outro sinal de alerta, segundo o Dr. Lucas Moser, "é quando o conteúdo utiliza apenas depoimentos pessoais como prova de eficácia, sem citar estudos científicos publicados em revistas especializadas".

Internet informa, mas não substitui a consulta médica

A internet pode ser uma importante ferramenta de educação em saúde, desde que utilizada com senso crítico. O problema surge quando pesquisas superficiais passam a substituir a avaliação profissional.

"Cada paciente possui características individuais e somente uma consulta permite avaliar corretamente sintomas, exames e o tratamento mais adequado. O que funciona para uns pode não funcionar para outros. Por isso, ao receber uma informação sobre medicamentos, vacinas, exames ou tratamentos, o ideal é esclarecer as dúvidas durante uma consulta médica. O profissional poderá explicar o que realmente é indicado para cada situação com base nas evidências científicas mais atuais", afirma Dr. Lucas Moser.

O médico lembra ainda que muitas doenças apresentam sintomas semelhantes, tornando impossível estabelecer um diagnóstico seguro apenas com base em pesquisas online.

Informação confiável também salva vidas

Especialistas reforçam que combater a desinformação é uma responsabilidade compartilhada entre profissionais de saúde, instituições, veículos de comunicação e a própria população.

Antes de compartilhar qualquer conteúdo, vale perguntar: quem produziu essa informação? Existe comprovação científica? O conteúdo foi publicado por uma instituição reconhecida? Em caso de dúvida, a melhor decisão continua sendo procurar orientação médica.

Em tempos de redes sociais, desenvolver o pensamento crítico tornou-se uma medida de prevenção tão importante quanto manter hábitos saudáveis. Afinal, quando o assunto é saúde, informação baseada em evidências também pode salvar vidas.

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