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Tecnologia mudará o desenvolvimento urbano no Brasil e Paraguai

Falta cidade, não casa: enquanto o déficit habitacional recua, a falta de infraestrutura mantém milhões de domicílios em condição inadequada. Para ...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
02/07/2026 às 11h40
Tecnologia mudará o desenvolvimento urbano no Brasil e Paraguai
Equipe Marketing - BlockUrb

O Brasil registrou em 2024 o menor déficit habitacional de sua série histórica, com 5,77 milhões de moradias em falta, segundo a Fundação João Pinheiro. O dado, porém, convive com um desafio maior: a inadequação habitacional atinge 27,9 milhões de domicílios, quase cinco vezes mais, e tem como principal componente a falta de infraestrutura urbana. Não por acaso: a palavra cidade vem do latim civitas, que designava não as construções, mas a comunidade de pessoas e a vida organizada entre elas — e é essa dimensão, a infraestrutura que conecta moradias e serviços, que especialistas apontam como o principal gargalo urbano.

Parte dessa carência é visível no saneamento. Cerca de 90 milhões de brasileiros vivem sem coleta de esgoto, segundo dados do SINISA levantados pelo Instituto Trata Brasil. O quadro se repete em outros países da América Latina, como o Paraguai, onde parte da população ainda não tem acesso a redes adequadas. Mas o conceito de infraestrutura é mais amplo — inclui mobilidade, drenagem, áreas verdes, iluminação, segurança e equipamentos de saúde e educação —, e é justamente nessa camada que os bairros planejados com soluções de cidade inteligente começam a atuar.

Onde a cidade inteligente contribui

As soluções de smart city vão além do mapeamento. Sensores e modelagem de dados ajudam a prevenir alagamentos, ao antecipar o comportamento da drenagem em chuvas intensas; melhoram a qualidade do ar, ao monitorar a poluição e orientar o tráfego; reforçam a segurança, com iluminação e videomonitoramento integrados; e tornam a mobilidade mais eficiente, ajustando semáforos e transporte público em tempo real. Aplicadas desde o projeto do bairro, essas ferramentas também dimensionam redes de água, transporte e energia e reduzem custos — ampliando o alcance do investimento e contribuindo para reduzir a inadequação habitacional.

Bairros novos e bairros existentes

A aplicação se dá em duas frentes. Em áreas novas, empreendimentos podem nascer já urbanizados e inteligentes, com infraestrutura e dados integrados desde o projeto, viabilizados pela loteadora e pelo BLU Fund, fundo privado do ecossistema BlockUrb voltado ao financiamento da urbanização. Em bairros consolidados, cuja requalificação é atribuição do poder público, a tecnologia entra sobretudo pela gestão — prefeituras contratam soluções de geoprocessamento e dados para planejar e operar a cidade existente.

Entre as iniciativas que atuam nessa lógica está a BlockUrb, ecossistema de desenvolvimento urbano com sede na Estônia e operação no Brasil e no Paraguai, com lançamento previsto para 2027. O modelo aplica geoprocessamento e inteligência artificial para que novos bairros nasçam planejados com soluções de cidade inteligente, além de soluções de gestão voltadas a municípios.

"Uma casa só vira moradia digna quando há cidade ao redor: mobilidade, saneamento, áreas de convívio, energia, conexão e serviços que sustentam a vida", afirma Boccanera Junior, arquiteto urbanista e fundador da BlockUrb. Segundo ele, em um bairro novo a infraestrutura nasce planejada, enquanto no bairro existente é o poder público que conduz, com a tecnologia a serviço da gestão.

Para analistas, a consolidação desse tipo de modelo dependerá menos da velocidade tecnológica e mais da integração entre dados, financiamento e planejamento urbano, sobretudo nas faixas de menor renda, onde a inadequação se concentra.

Sobre a BlockUrb

A BlockUrb é um ecossistema de desenvolvimento urbano com sede na Estônia e operação no Brasil e no Paraguai, que reúne três funções em uma única estrutura: viabilizar empreendimentos urbanísticos, tokenizar sua cadeia de valor e orquestrar cidades inteligentes. Mais informações em www.blockurb.ee.

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