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Reconstruções pós-enchente exigem critério técnico

Enchentes comprometem infraestrutura hídrica e sanitária em todo o Brasil. Entenda os critérios técnicos que determinam a segurança e a eficiência ...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
23/06/2026 às 16h20

Entre o fim de abril e o início de maio de 2024, o Rio Grande do Sul viveu o maior desastre hidrológico já registrado no Brasil. Em apenas duas semanas, a precipitação em diversas regiões do estado atingiu cerca de 40% do volume médio anual. Aproximadamente 2,4 milhões de pessoas foram atingidas, mais de 600 mil ficaram desalojadas e 70 mil precisaram ser alocadas em abrigos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Dos 497 municípios gaúchos, 478 foram impactados.

O evento, apesar da dimensão, não é isolado. Entre janeiro de 2013 e dezembro de 2023, desastres causaram R$ 639,4 bilhões em prejuízos no Brasil, de acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). No mesmo período, 5.233 municípios registraram 64.742 decretações de situação de emergência ou estado de calamidade pública, o equivalente a 94% dos municípios brasileiros atingidos ao menos uma vez. O padrão se repetiu nos anos seguintes: em 2025, o Brasil registrou 1.493 eventos hidrológicos, entre alagamentos, enxurradas, deslizamentos e inundações, afetando mais de 336 mil pessoas. Em janeiro do mesmo ano, chuvas extremas atingiram Pernambuco e, em junho, o Rio Grande do Sul foi novamente afetado.

Por trás dos números de vítimas e desabrigados, há um impacto menos visível, mas ainda grave: o colapso da infraestrutura enterrada. Após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, mais de 900 mil residências ficaram sem abastecimento de água. Os efeitos se estenderam ao esgotamento sanitário, à coleta de resíduos sólidos e aos sistemas de drenagem urbana. Além disso, a contaminação da água, o extravasamento de esgotos e a obstrução de galerias pluviais são consequências que se amplificam com o tempo.

O relatório oficial do governo gaúcho registrou ainda danos extensivos à infraestrutura rural: 9.158 localidades e mais de 206 mil propriedades atingidas, com severos prejuízos em estradas, construções e sistemas de abastecimento. A reconstrução dessas estruturas impõe um problema técnico que frequentemente recebe menos atenção do que merece: como intervir com eficiência em terrenos instáveis, saturados de água e de difícil acesso.

Matheus K. Leite, engenheiro mecânico na Bristol, indústria de implementos hidráulicos, aponta que as condições encontradas após desastres diferem substancialmente de uma obra convencional. "Após enchentes e deslizamentos, o solo costuma apresentar excesso de umidade, perda de compactação e instabilidade. Isso aumenta o risco de afundamentos e falhas estruturais durante a execução dos serviços, exigindo equipamentos que ofereçam controle preciso de torque e estabilidade durante as perfurações", afirma.

Segundo o engenheiro, a escolha dos implementos, como brocas e acessórios acoplados às máquinas, é tão determinante quanto o equipamento em si. "A especificação correta, conforme as características do terreno, seja ele argiloso, arenoso ou rochoso, influencia diretamente a eficiência da perfuração, a durabilidade do equipamento e a qualidade estrutural do resultado final", explica. Sistemas que distribuem melhor a força aplicada ao solo reduzem impactos excessivos na área de trabalho e permitem intervenções mais seguras para as equipes de campo.

A velocidade de resposta, no entanto, não pode prescindir de critério técnico. "Do ponto de vista da engenharia, trabalhar onde o solo perdeu estabilidade exige respostas que sejam ao mesmo tempo rápidas e tecnicamente seguras. Cada hora conta para restabelecer acessos, sistemas de abastecimento e estruturas essenciais, mas uma intervenção mal especificada pode comprometer a estrutura executada e prolongar ainda mais o processo de recuperação", alerta Leite.

Diante do histórico de desastres no país e da frequência com que eventos climáticos extremos têm se repetido, o engenheiro aponta que a prontidão operacional de prefeituras, empresas de saneamento e construtoras torna-se um fator estrutural. A capacidade de perfurar novos pontos de captação, remover estruturas comprometidas e executar fundações em terrenos instabilizados determina a velocidade com que comunidades afetadas retomam o acesso a serviços básicos. Segundo Leite, equipamento adequado e especificação técnica condizente com o solo são, nesses momentos, elementos determinantes.

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