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Médico desmistifica dúvidas sobre doença rara no sangue

Pessoas com essa Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN) ainda enfrentam necessidades não atendidas, mesmo com tratamento disponível no SUS. Os pa...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
22/06/2026 às 12h58
Médico desmistifica dúvidas sobre doença rara no sangue
Pexels

Caracterizada pela destruição dos glóbulos vermelhos (hemólise), a Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN) é uma doença rara e crônica que causa anemia, fadiga intensa, dor abdominal, urina escura devido à perda de hemoglobina livre (hemoglobinúria) e maior risco de trombose, entre outros sintomas que impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Com prevalência global estimada entre um e cinco casos por milhão de indivíduos, a HPN é geralmente diagnosticada em adultos de 30 a 40 anos. Nas últimas décadas, os avanços no tratamento transformaram a doença em crônica e tratável, inclusive com a oferta de terapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na prática, porém, esse cuidado ainda impõe desafios importantes ao dia a dia dos pacientes.

Para contribuir com a conscientização sobre a doença, o hematologista Dr. Rodolfo Cançado, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenador do Comitê de Glóbulos Vermelhos da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), reuniu alguns mitos e verdades sobre a doença.

A HPN não causa impactos físicos e emocionais relevantes na vida do paciente

Mito. Embora rara, a HPN pode ser altamente debilitante. "A fadiga persistente é um dos sintomas mais relatados e pode comprometer atividades simples do dia a dia, como trabalhar, estudar ou realizar tarefas cotidianas, restringindo a autonomia e o convívio social dos pacientes", esclarece o médico.

"Esses sintomas também impactam oportunidades profissionais, com relatos de perda de empregos ou de promoções devido à dificuldade em manter o desempenho ou à necessidade de pausas frequentes para recuperação", complementa.

Oito em cada dez pacientes continuam sintomáticos mesmo quando em tratamento

Verdade. Cerca de 80% dos pacientes permanecem com anemia e, destes pacientes, cerca de 50% continuam com anemia intensa, fadiga e necessidades ocasionais de transfusão de sangue. Na prática, isso significa que oito em cada dez pessoas continuam sintomáticas, convivendo com impactos físicos, emocionais, sociais e econômicos da condição.

Após o diagnóstico, o tratamento da HPN não interfere de forma significativa na vida do paciente

Mito. O tratamento da HPN impõe desafios que vão além do controle clínico da doença. Apesar de avanços importantes e da ampliação do acesso ao medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS), a única terapia disponível é administrada por via endovenosa, a cada duas semanas, exigindo deslocamentos até os centros especializados. Dados levantados junto a pacientes indicam que cerca de 50% precisam viajar a outro município para receber a infusão, percorrendo distâncias médias superiores a 80 quilômetros. Em alguns casos, esse trajeto pode chegar a 400 quilômetros. Embora o tempo da infusão em si seja relativamente curto, o período total dedicado ao tratamento costuma se estender por um dia inteiro, considerando exames, consultas e o deslocamento até o centro de referência.

Novas perspectivas no tratamento da HPN

Já está disponível no país uma alternativa de tratamento oral para a hemoglobinúria paroxística noturna (HPN). Trata-se da primeira monoterapia oral para a doença, que pode reduzir a necessidade de deslocamentos para centros de referência e tem demonstrado resultados associados ao controle abrangente da doença.

Entre os desfechos observados estão a chamada tripla normalização — caracterizada por níveis de hemoglobina dentro da normalidade, normalização da desidrogenase lática (DHL), melhora dos níveis de fadiga e ausência de necessidade de transfusões.

Atualmente, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) conduz a avaliação de tecnologias terapêuticas para a HPN por meio da Consulta Pública nº 49/2026. As informações relacionadas ao processo podem ser consultadas no portal da CONITEC.

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