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Cibersegurança é estratégica para soberania digital do país

Consolidar a cibersegurança como política de Estado será decisivo para garantir confiança digital, continuidade de serviços essenciais, proteção ec...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
16/06/2026 às 15h01
Cibersegurança é estratégica para soberania digital do país
Foto: Pixabay

O Observatório Softex lançou o artigo "Segurança Cibernética como Política de Estado: Como o Brasil Pode Transformar Proteção em Vantagem Estratégica", novo conteúdo da série Observando. O material analisa o avanço da cibersegurança na agenda pública brasileira e propõe caminhos para transformar proteção digital em instrumento de soberania, resiliência institucional e competitividade econômica.

O conteúdo examina o novo contexto regulatório e institucional da segurança cibernética no país, marcado pela publicação da nova Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), instituída pelo Decreto nº 12.573/2025. A análise mostra como a cibersegurança deixou de ser apenas uma questão técnica para ocupar posição estratégica nos debates sobre capacidade estatal, confiança digital, proteção de infraestruturas críticas e desenvolvimento econômico.

O material também destaca que a aceleração da digitalização ampliou significativamente a exposição do Brasil a ameaças cibernéticas. Atualmente, mais de 161 milhões de brasileiros com dez anos ou mais utilizam a internet, enquanto o número de computadores e smartphones em uso no país chegou a 480 milhões. Hoje, sistemas digitais sustentam serviços públicos, transações financeiras, comunicação, mobilidade e operações estratégicas da economia.

Brasil no centro da pressão cibernética global

O ambiente internacional de ameaças se tornou mais sofisticado, impulsionado pela expansão da inteligência artificial, pela fragmentação geopolítica e pelo aumento da dependência de cadeias digitais complexas. Dados analisados no artigo mostram que 94% dos especialistas ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial apontam a IA como principal vetor de transformação da cibersegurança nos próximos anos, enquanto 87% consideram as vulnerabilidades relacionadas à tecnologia como o risco cibernético de crescimento mais acelerado em 2025.

O conteúdo chama atenção ainda para a crescente exposição brasileira no cenário internacional. Em 2025, a América Latina registrou o maior crescimento global na taxa de ataques cibernéticos, com média superior a 3 mil ataques semanais por organização. O Brasil passou a ocupar posição de destaque tanto como alvo prioritário de crimes digitais quanto como origem de ataques de negação de serviço (DDoS), impulsionados pelo uso de dispositivos vulneráveis em redes automatizadas.

Outro ponto abordado é o impacto da fragilidade cibernética sobre serviços essenciais e estruturas governamentais. Casos recentes envolvendo sistemas públicos brasileiros, como ConecteSUS, Siafi e vazamentos de dados ligados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são apresentados como exemplos de como incidentes digitais podem comprometer políticas públicas, confiança institucional e continuidade operacional do Estado.

Para os pesquisadores do Observatório Softex, o desafio brasileiro agora é transformar o avanço regulatório em capacidade institucional efetiva, com coordenação nacional, formação de talentos, fortalecimento da infraestrutura crítica e redução da dependência tecnológica externa.

"A cibersegurança deixou de ser uma agenda exclusivamente técnica para se tornar uma dimensão estratégica da soberania digital e da capacidade do Estado. O Brasil avançou na formulação de marcos importantes, mas o próximo passo será transformar diretrizes em capacidade operacional, coordenação federativa e resiliência sistêmica", avalia Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.

Recomendações para transformar proteção em política de Estado

Além do diagnóstico sobre o cenário brasileiro e internacional, o artigo reúne recomendações de políticas públicas voltadas ao aumento da maturidade cibernética do país. As propostas estão organizadas em ações de curto, médio e longo prazo e defendem uma mudança estrutural na forma como o Brasil trata a segurança digital.

Entre as medidas prioritárias estão a operacionalização integral do Plano Nacional de Cibersegurança (P-Ciber 2026–2027), o fortalecimento do CISC gov.br como centro federal de coordenação de incidentes e a criação de uma linha de base nacional de maturidade cibernética para órgãos públicos e setores críticos. O conteúdo também destaca a necessidade de ampliar a formação de profissionais especializados diante da crescente escassez de talentos em segurança digital.

No médio prazo, o material propõe a criação de uma autoridade nacional de cibersegurança com mandato transversal, responsável por coordenar ações entre União, estados, reguladores e setores estratégicos. O artigo também recomenda a definição de padrões mínimos de resiliência para infraestruturas críticas, a realização periódica de exercícios nacionais de crise cibernética e o fortalecimento dos mecanismos de compartilhamento de inteligência entre governo, sistema financeiro, academia e setor privado.

Já no longo prazo, o conteúdo defende que o Brasil avance na construção de uma política de soberania tecnológica aplicada à cibersegurança, reduzindo dependências externas em software, hardware, nuvem e tecnologias críticas. O artigo ressalta ainda a necessidade de preparar o país para desafios emergentes, como a transição para criptografia pós-quântica e os impactos da inteligência artificial sobre a proteção de dados, sistemas críticos e infraestrutura nacional.

Segundo o Observatório Softex, consolidar a cibersegurança como política de Estado será decisivo para garantir confiança digital, continuidade de serviços essenciais, proteção econômica e maior autonomia tecnológica em um cenário global marcado pelo aumento das disputas geopolíticas e pela crescente centralidade das infraestruturas digitais.

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