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Operação Benedict: Gaeco mira desvio de R$ 9 milhões em emendas de São Luís; Vereador Beto Castro é preso

Ampla ação do Ministério Público apura o desvio de recursos públicos com suspeita de participação de integrantes de facções criminosas; vereador da capital foi preso em flagrante por posse de arma.

Por: Carlos Leen
15/06/2026 às 10h42
Operação Benedict: Gaeco mira desvio de R$ 9 milhões em emendas de São Luís; Vereador Beto Castro é preso
COMBATE À CORRUPÇÃO: O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, deflagrou nesta segunda-feira (15) a “Operação Benedict”.

 

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (15), a Operação Benedict, uma ofensiva que mira o coração financeiro de esquemas de desvio de verbas no estado.

Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em parceria com a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) da Polícia Civil, a ação investiga o suposto desvio de mais de R$ 9 milhões em recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.

Entre os principais alvos das ordens judiciais estão o vereador de São Luís, Beto Castro (Avante, foto), e o ex-vereador Umbelino Júnior. Ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pela Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados. Durante o cumprimento das diligências em sua residência, Beto Castro acabou sendo preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Ao todo, as equipes da Polícia Civil e Militar cumprem 17 mandados judiciais, que incluem sete prisões preventivas e diversas ordens de busca contra pessoas físicas e jurídicas.

Sete prisões preventivas decretadas

A decisão colegiada do Judiciário determinou a custódia preventiva de sete investigados apontados como operadores diretos dos mecanismos de desvio das verbas destinadas a projetos financiados pelas emendas:

  • Lucivânia Silva Alves Siqueira

  • Robson de Oliveira Siqueira

  • José Roberto Santos Cunha

  • Cristiana Serra Duarte Cunha

  • Evânia Maria Sousa Nicácio

  • Evano Hícaro dos Santos Soares

  • Josué Santos da Silva (conhecido pelo codinome “Gaspar”)

Empresas e institutos sob o raio-X do Gaeco

O desenho do esquema passava pela triangulação com entidades e empresas comerciais. Mandados de busca foram executados nas sedes do Instituto Sê Tu Uma Bênção, da empresa Comercial Alves e Serviços Eireli e do escritório Elmo Contabilidade Ltda. O objetivo do MPMA é rastrear o destino final do dinheiro e delimitar o grau de participação das pessoas jurídicas na ocultação dos valores.

O Gaeco informou ainda que a Vara de Crimes Organizados havia deferido inicialmente medidas contra outras três empresas citadas no inquérito. No entanto, os mandados foram cancelados após a constatação técnica de que os estabelecimentos já haviam encerrado formalmente suas atividades por meio de liquidação voluntária.

A conexão com facções criminosas

O elemento mais grave revelado pela investigação diz respeito à suspeita de infiltração de facções criminosas na administração e partilha das emendas parlamentares. Conforme o Ministério Público, há indícios materiais de que membros de organizações criminosas que atuam no estado tenham participado ativamente das tratativas e do recebimento de parcelas do dinheiro desviado. Essa interseção entre a corrupção administrativa e o crime organizado de rua foi o fator determinante para que o caso fosse centralizado pelo Gaeco.

Análise 

O envolvimento direto de Beto Castro e de um ex-vereador demonstra que o cerco ao chamado "orçamento paralelo" ou ao desvio de emendas no Maranhão desceu para o varejo da política municipal da capital.

Ter um vereador em pleno exercício do mandato preso — ainda que inicialmente pela posse de arma — envia uma onda de choque para a Câmara Municipal de São Luís, onde o uso de emendas para financiamento de redutos eleitorais e projetos sociais é prática corrente nos bastidores.

A gravidade do caso atinge o teto com a confirmação, pelo Ministério Público, de que facções criminosas estavam operando os desvios.

Isso demonstra uma perigosa evolução institucional do crime no Maranhão: as facções deixaram de se financiar apenas com o tráfico de entorpecentes ou extorsões nas periferias para se tornarem sócias e prestadoras de serviços em contratos públicos e emendas parlamentares.

Quando o crime organizado passa a ditar para onde vai o dinheiro público da saúde ou da assistência social, a resposta do Estado precisa ser, como foi hoje, de força máxima.

A Benedict sinaliza que a porteira foi aberta e que o rastreamento dos R$ 9 milhões tem potencial para puxar fios que alcançam palanques expressivos para 2026.

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