
Uma nova rodada de dados estatísticos confirma a consolidação de uma tendência de desgaste na pré-campanha da oposição nacional.
De acordo com a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), o presidente Lula (PT) abriu vantagem na simulação de segundo turno para o pleito presidencial de 2026, alcançando 44% das intenções de voto contra 38% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O levantamento é o primeiro do instituto a ir a campo após a eclosão do caso envolvendo os áudios do Banco Master. Na rodada anterior, realizada em maio, o cenário era de empate técnico absoluto na margem de erro, com o atual mandatário registrando 42% e o parlamentar fluminense pontuando com 41%. No cenário atual, brancos, nulos e eleitores que declaram voto nulo somam 14%, enquanto os indecisos representam 4%.
Primeiro Turno e novos testes
No cenário de primeiro turno, Lula mantém a liderança isolada com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, que aparece com 29%. A amostragem atual promoveu alterações na lista de postulantes, retirando Aldo Rebelo e Hertz Dias (PSTU), e testando pela primeira vez os nomes de Aécio Neves (PSDB), Edmilson Costa (PCB), Joaquim Barbosa (DC) e Heró Bezerra (PRTB).
Nenhum dos demais candidatos testados atingiu os dois dígitos na preferência dos entrevistados:
Ronaldo Caiado (PSD): 3%
Renan Santos (Missão): 3%
Romeu Zema (Novo): 2%
Aécio Neves (PSDB): 2%
Joaquim Barbosa (DC): 1%
Augusto Cury (Avante): 1%
Samara Martins (UP): 1%
Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB) e Heró Bezerra (PRTB) não pontuaram.
Nas simulações alternativas de segundo turno, Lula sustenta estabilidade ao liderar contra os demais nomes testados. O petista vence Renan Santos por 45% a 31%, e bate tanto Romeu Zema quanto Ronaldo Caiado pelo placar de 45% a 35%.
O impacto do caso "Dark Horse"
A Quaest mediu o impacto direto da divulgação do áudio em que o senador pedia ajuda financeira ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — transação que envolveu a transferência de R$ 61 milhões.
O julgamento da opinião pública foi majoritariamente desfavorável ao parlamentar:
60% afirmaram que as conversas gravadas levantaram suspeitas de atitudes ilegais, enquanto 19% avaliaram o diálogo como normal.
65% declararam que o "filho 01" errou e deveria ter evitado a conversa, contra 17% que não viram problemas no pedido de financiamento.
Rejeição estrutural continua alta
Apesar do ganho numérico de Lula no confronto direto de segundo turno, os dois principais polos da política nacional continuam enfrentando uma forte resistência estrutural do eleitorado. Os índices de rejeição mantiveram-se praticamente idênticos aos registrados em maio: 56% dos entrevistados afirmam que conhecem e não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% declaram que não votariam em Lula sob nenhuma hipótese.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores presencialmente em domicílios entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está oficialmente registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07661/2026.