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Maria da Conceição Tavares: Um Legado que Transcende o Tempo

Clayton Noleto analisa a trajetória da intelectual que deixou um legado que ainda influencia a formação de economistas e o debate sobre políticas públicas no Brasil.

Por: Carlos Leen
06/06/2026 às 12h39 Atualizada em 06/06/2026 às 12h46
Maria da Conceição Tavares: Um Legado que Transcende o Tempo
Foto: Divulgação

 

No próximo dia 8 de junho, dois anos se passarão desde o falecimento da eminente economista Maria da Conceição Tavares, uma personagem crucial na discussão econômica do Brasil e uma voz significativa na busca por um desenvolvimento mais equitativo e sustentável.

A sua trajetória intelectual e acadêmica deixou um legado que ainda influencia a formação de economistas e o debate sobre políticas públicas no Brasil.

Nascida em 24 de abril de 1930, em Anadia, Portugal, Maria da Conceição Tavares mudou-se para o Brasil em 1954, fugindo da ditadura de Salazar.

Com uma formação sólida em Ciências Matemáticas pela Universidade de Lisboa, ela se naturalizou brasileira e iniciou sua carreira acadêmica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde se destacou como uma das fundadoras do curso de Economia.

Ao longo de sua carreira, Tavares foi professora titular na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora emérita na UFRJ.

As suas investigações e trabalhos publicados trataram de tópicos fundamentais, tais como a industrialização do Brasil, o crescimento econômico e a disparidade social. O seu livro “Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil” (1972) é um divisor de águas na pesquisa da economia do Brasil, proporcionando uma avaliação apurada da política econômica nacional.

 Principais Contribuições para o Debate Econômico

1. Modelo de Substituição de Importações: Tavares se destacou como uma das principais analistas do modelo de substituição de importações, discutindo suas restrições e impactos a longo prazo, tais como a perda de competitividade e a dependência de tecnologias de outros países.

2. Crítica ao Rentismo: Ela argumentou que o rentismo, ou a ênfase em lucros financeiros sobre a produção, era um fator que contribuía para a concentração de renda e o aumento das desigualdades sociais no Brasil. Essa crítica se tornou fundamental para entender as dinâmicas econômicas que perpetuam a desigualdade.

3. Desenvolvimento Sustentável: Tavares advogava pela importância de um progresso econômico que não se limitasse ao crescimento, mas também valorizasse a inclusão social e a equidade econômica, sugerindo uma perspectiva integral para o progresso.

4. Educação e Políticas Sociais: A economista destacou a relevância da educação e das políticas sociais como alicerces para o crescimento econômico e a diminuição das desigualdades, auxiliando na discussão acerca da necessidade de investimentos nesses setores.

5. Participação Política: Na qualidade de deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Tavares inseriu sua perspectiva econômica no contexto legislativo, promovendo políticas que almejavam a inclusão social e a equidade econômica.

A sua determinação demonstra como os intelectuais podem intervir no combate às desigualdades sociais. Sua prontidão para contestar políticas injustas e sua combinação entre teoria e prática, ao participar do cenário político, evidenciam que o saber deve ser acompanhado de atos.

Ademais, a sua habilidade em cultivar uma consciência crítica e defender políticas inclusivas ressalta a relevância do papel dos intelectuais na batalha pela justiça social.

A influência de Maria da Conceição Tavares é reconhecida não apenas no meio acadêmico, mas também entre os movimentos sociais e políticos que lutam por um país mais justo.

Seu trabalho rendeu-lhe diversas homenagens e prêmios, incluindo o Prêmio Jabuti na categoria “Economia” em 1988.

Dois anos após sua morte, sua obra permanece viva, inspirando novas gerações de economistas e ativistas. Celebrar sua memória é uma forma de reafirmar a importância de suas contribuições para o Brasil e de continuar sua luta por um futuro mais equitativo e sustentável.

Neste 8 de junho, ao lembrarmos de Maria da Conceição Tavares, celebramos não apenas sua vida, mas também seu impacto duradouro na educação e na economia brasileira. Seu exemplo nos ensina que o conhecimento é uma ferramenta poderosa para a transformação social e que, por meio da educação e da reflexão crítica, podemos construir um mundo melhor para todos.

*Clayton Noleto é historiador.

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