
A pesquisa Meio Ideia, divulgada nesta quinta-feira (28), mostra o presidente Lula (PT) com vantagem na simulação de segundo turno para o pleito presidencial de 2026, alcançando 46,5% das intenções de voto contra 41,4% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Três semanas atrás, antes da eclosão do escândalo financeiro, o parlamentar fluminense liderava numericamente o cenário de segunda rodada por 45,3% a 44,7%.
No primeiro turno, o atual mandatário lidera de forma isolada com 38,5%, seguido por Flávio Bolsonaro, que pontua com 31,5%.
Na rodada anterior, o placar era de 40% a 36%, evidenciando que a retração da oposição foi mais acentuada do que as oscilações da base governista. O levantamento subsequente é composto por:
Ronaldo Caiado (PSD): 5,5%
Romeu Zema (Novo): 2,4%
Renan Santos (Missão): 2,1%
Nas simulações alternativas de segundo turno, Lula sustenta estabilidade acima dos 45% contra todos os adversários.
Os nomes que oferecem maior resistência teórica ao petista são Ronaldo Caiado e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), ambos registrando 40% em confrontos diretos.
O momento de crise na oposição coincidiu com uma melhora nos índices internos do Palácio do Planalto.
A taxa de "ótimo ou bom" do governo Lula subiu de 31,5% para 35,6%, enquanto o índice de "ruim ou péssimo" recuou de 46,3% para 40,7%.
A aprovação pessoal do presidente alcançou 46,6% (ante 44% no início do mês), contra uma desaprovação de 51,4%.
Contudo, o teto eleitoral para a reeleição ainda enfrenta resistência estrutural: quando questionados se Lula merece continuar no cargo após 2026, 51,4% responderam de forma negativa, enquanto 45,6% avaliam que o petista merece um novo mandato.
A pesquisa Meio Ideia ouviu 1.500 eleitores entre os dias 23 e 27 de maio. A margem de erro técnica é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026.
Análise do Blog: O paradoxo do teto de Lula e o desgaste da grife Bolsonaro
Os números da pesquisa Meio Ideia trazem dois diagnósticos cruciais para o xadrez de 2026. O primeiro é que o "fator Vorcaro" não foi um espasmo passageiro de redes sociais. O fato de 44% dos eleitores admitirem que a percepção sobre Flávio Bolsonaro piorou e quase metade do país exigir investigação da Polícia Federal mostra que o caso colou na imagem do senador como uma mancha de governabilidade e ética.
Perder a liderança do segundo turno para Lula é o preço direto de ficar sem narrativa defensiva.
O segundo diagnóstico é o paradoxo que envolve o próprio presidente Lula.
Embora o governo tenha respirado com a melhora na avaliação geral (subindo para 35,6% de ótimo/bom) e a desaprovação tenha recuado, a barreira dos 51,4% que acham que ele não merece continuar no cargo acende um alerta amarelo no comitê petista.
Isso significa que o crescimento atual de Lula nas pesquisas é impulsionado muito mais pela desidratação e rejeição ao nome de Flávio Bolsonaro do que por um entusiasmo renovado com o atual mandato.
O eleitor de centro, que decide a eleição, está punindo o senador do PL pelas contradições do caso "Dark Horse", mas ainda se mostra refratário à ideia de estender o projeto petista.
Se a oposição perceber esse movimento e optar por uma alternativa viável que não carregue o desgaste dos bastidores do Banco Master — como Ronaldo Caiado, que pontua bem nos cenários simulados —, o favoritismo de Lula voltará a ser testado sob forte pressão.