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Mercado de carbono expõe limites da compensação

Empresas passam a ser cobradas por reduções reais de emissões, diante da pressão regulatória e de investidores

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
27/05/2026 às 21h45
Mercado de carbono expõe limites da compensação
Imagem do Magnific/freepik

O mercado voluntário de carbono, que durante anos foi utilizado por empresas como ferramenta reputacional, vive hoje um momento de transformação. A pressão de investidores, reguladores e auditorias ESG tem exigido que as companhias comprovem reduções reais e mensuráveis de emissões, e não apenas a compra de créditos de qualidade questionável.

Estudos internacionais reforçam essa mudança. Relatório do Carbon Disclosure Project (CDP), divulgado no site da IBM, mostra que as emissões da cadeia de suprimentos podem ser até 11,4 vezes maiores que as operacionais. Um levantamento da McKinsey estima que as emissões do Scope 3 possam representar cerca de 90% da pegada de carbono de uma empresa, embora o número possa variar de acordo com o setor.

Segundo Lucas Nicoleti, CEO da Ecomilhas, empresa especializada em remuneração variável por metas auditáveis de descarbonização de Scope 3.6 e 3.7, essa mudança alterou a forma como as corporações tratam a agenda climática. "Mudou de ‘compensar para reportar’ para ‘reduzir para sobreviver’. A pressão hoje vem de três frentes: capital, regulação e cadeia de fornecedores. O resultado é que a descarbonização saiu da diretoria de sustentabilidade e passou a integrar diretamente a pauta financeira e de risco das empresas", afirma.

O executivo explica que muitas organizações ainda compram créditos de carbono sem adicionalidade ou com metodologias frágeis, criando uma falsa sensação de progresso. "O inventário melhora no papel, mas a operação continua exatamente igual. O mercado está reagindo após a Science Based Targets Initiative (SBTi) proibir o uso de créditos para metas de Scope 1 e 2 em 2024, e a nova regra é hierárquica: reduzir primeiro, substituir depois, compensar só como último recurso", alerta.

O maior obstáculo está no Scope 3, que concentra a maior parte das emissões, mas também os dados menos confiáveis. "É onde está a emissão real e, ao mesmo tempo, onde o dado é o pior. A nova diretiva da Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) sobre o relato de sustentabilidade das empresas tornou o Scope 3 obrigatório. É o paradoxo do momento: a categoria com mais material para resultados é, também, a menos confiável metodologicamente", afirma Nicoleti.

Esse cenário acelerou a demanda por soluções capazes de transformar mobilidade corporativa em redução mensurável de emissões. "Hoje já monitoramos mais de 1 milhão de deslocamentos corporativos em empresas como Volkswagen, Nestlé, Saint-Gobain, CI&T e Serasa Experian. Além disso, nossa metodologia conta com processo de asseguração da KPMG, o que fortalece a confiabilidade dos dados para auditorias, relatórios ESG e metas vinculadas a financiamento sustentável", destaca.

Mobilidade corporativa como exemplo

A medição das emissões de mobilidade dos colaboradores também ilustra a dificuldade. "A pesquisa anual de mobilidade subestima emissões em 20% a 40%, porque não captura comportamento real. Sem dado contínuo, não há como provar redução para a SBTi ou para a CSRD. E, sem dado individualizado, não há como engajar o colaborador, já que um relatório em PDF não muda comportamento de ninguém", explica.

A Ecomilhas atua nesse ponto com tecnologia para monitorar e reduzir emissões de mobilidade corporativa. "Nosso aplicativo captura passivamente, via GPS, cada deslocamento do colaborador e calcula a tCO₂e evitada contra o cenário-base do carro a combustão. O colaborador é recompensado com cashback no Green Card Mastercard co-branded, o que cria engajamento real e contínuo. A empresa recebe relatório mensal auditável, pronto para CDP, CSRD e GHG Protocol", explica o executivo.

Nicoleti destaca ainda que a diferença entre compensar e reduzir é estratégica. "Compensação resolve para o relatório; redução resolve para o negócio. Com dado primário contínuo, a empresa identifica onde reduzir e fecha o ciclo: medir, engajar, reduzir, reportar, repetir. Na prática, o custo por tonelada efetivamente reduzida costuma ser 5 a 10 vezes menor que o custo de um crédito de alta qualidade, e ainda melhora o engajamento dos colaboradores", conclui.

Para saber mais, basta acessar: https://ecomilhas.notion.site/3644b6dc237e800b8b0af02de188d6e4?pvs=105

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