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Mercado de rastreamento enfrenta dilema ético

Se uma empresa utiliza o rastreador, o chip e a plataforma de uma única companhia que também disputa o mercado, ela perde a soberania sobre a opera...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
13/05/2026 às 13h46
Mercado de rastreamento enfrenta dilema ético
Divulgação/Ikonn

O mercado brasileiro de rastreamento vive um momento de crescimento, com previsão de mais do que dobrar o seu tamanho entre 2024 e 2032, segundo o Verified Market Research. No entanto, o setor se vê diante de um dilema ético: empresas que fornecem o sistema (software) de rastreamento para centrais, mas que também possuem suas próprias marcas de varejo que vendem diretamente para o consumidor final.

André Luiz Ota, CEO da empresa de rastreamento Ikonn, explica que o risco não é apenas a concorrência direta, abrangendo também o que ele chama de "monopólio vertical". Isso porque, quando um fornecedor controla toda a cadeia — do hardware e chip de conectividade até o software — e ainda atende o cliente final ou regime de cobrança unitária, ele detém o controle total sobre o negócio.

"Esse fornecedor sabe exatamente quais são os clientes mais rentáveis da outra empresa e onde eles estão. Para o empresário que busca a melhor plataforma de rastreamento, o risco é tornar-se um ‘revendedor dependente’ em vez de um dono de negócio. Na prática, você está construindo sua base de clientes em um sistema que pertence ao seu maior competidor", detalha Ota.

Na prática, se uma empresa utiliza o rastreador, o chip e a plataforma de uma única companhia que também disputa o mercado, ela perde a soberania sobre a operação, avalia o CEO da Ikonn.

Se o fornecedor decidir aumentar os preços ou mudar as regras de forma súbita, o empresário estará preso a essa situação. Mudar de plataforma significaria trocar todos os chips ou todos os hardwares de uma vez, o que Ota descreve como "um suicídio financeiro".

"A plataforma de rastreamento deve ser agnóstica: ela deve dar ao empresário a liberdade de escolher o melhor hardware e o melhor chip, sem que um prenda o outro", defende o empresário.

"No entanto, quando o fornecedor entrega o chip atrelado ao software, ele tem o que chamamos de visibilidade total do fluxo. Ele controla o dado desde a origem (hardware) até a interface final (app). Se esse fornecedor também vende unitário, ele pode usar essa massa de dados para identificar nichos lucrativos e canibalizar o mercado dos próprios parceiros. Soberania exige que você seja o único dono da jornada do dado", acrescenta Ota.

A dependência total de um fornecedor pode afetar até mesmo a valorização patrimonial e a atração de investimentos de uma empresa de rastreamento, ressalta o CEO da Ikonn. Ele diz que, no momento de uma venda ou fusão, o investidor avaliará o nível de dependência. Uma empresa que não é dona do seu chip, do seu hardware e que opera em uma plataforma de um concorrente tem um valor de mercado muito menor.

Esse negócio passa a ser visto pelo investidor como uma operação de revenda, e não como um ativo tecnológico, afirma Ota. "Quem busca construir um legado e triplicar o faturamento precisa de uma arquitetura que valorize a sua marca e a sua independência técnica", salienta ele.

Ota revela que, na Ikonn, o foco está na engenharia de sistemas e não em combos fechados com chip e hardware. Segundo ele, essa escolha reflete o compromisso da empresa com a soberania do parceiro.

"Se vendêssemos o chip e o hardware travados em nossa plataforma, estaríamos criando uma relação de dependência, e não de parceria. Nossa engenharia é focada em fornecer um sistema de rastreamento eficaz do ponto de vista de processamento e estabilidade, permitindo que o empresário tenha o poder de barganha com fornecedores de hardware e conectividade. Nós não queremos ser donos da sua central; queremos que você seja o dono absoluto da operação", pontua Ota.

Para saber mais, basta acessar o site da Ikonn: https://www.ikonn.com.br/

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