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Modernização de sistemas críticos avança no setor financeiro

Debates recentes entre especialistas indicam que a atualização tecnológica deixou de ser uma pauta exclusivamente técnica e passou a impactar diret...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
05/05/2026 às 18h27
Modernização de sistemas críticos avança no setor financeiro
Shutterstock

A modernização de sistemas críticos tem se consolidado como prioridade estratégica no setor financeiro brasileiro, diante do avanço da digitalização e da crescente complexidade operacional. Esse foi o pano de fundo de discussões realizadas durante o TQI Summit 2026, evento que ocorreu no dia 23 de abril e reuniu lideranças do setor para analisar os desafios da transformação tecnológica em ambientes de alta complexidade.

Entre os principais pontos debatidos, destacou-se a percepção de que a modernização tecnológica passou a ser tratada como um fator determinante para a competitividade, com impactos diretos na eficiência, na mitigação de riscos e na capacidade de crescimento das instituições. Nesse contexto, o avanço da inteligência artificial (IA) foi apontado como dependente de fundamentos ainda em desenvolvimento em muitas organizações, como qualidade de dados, arquitetura tecnológica e capacidade de execução.

Durante os debates, especialistas ressaltaram que a gestão da inovação em ambientes críticos exige equilíbrio entre competitividade, segurança e eficiência operacional. A discussão também enfatizou a importância de priorizar iniciativas com geração de valor mensurável e de conduzir a evolução tecnológica de forma estruturada, com governança orientada por métricas e alinhamento estratégico. Além disso, foram apresentados exemplos de aplicações práticas de inteligência artificial com ganhos de produtividade, bem como a relevância da cooperação entre instituições para o fortalecimento da segurança cibernética.

Para Mário Anseloni, CEO da TQI, o evento evidenciou um amadurecimento da agenda tecnológica no setor financeiro. "A modernização deixou de ser uma discussão restrita à tecnologia e passou a ocupar um papel central na estratégia das instituições, com impacto direto na capacidade de responder a mudanças de mercado e de sustentar crescimento com eficiência", afirmou.

Outro ponto relevante foi o papel dos sistemas legados, reconhecidos como ativos estratégicos por sustentarem operações e concentrarem regras de negócio críticas. Segundo Wallace Jagiello, executivo do Bradesco, Luiz Henrique Freitas, do Tribanco, e Mário Anseloni, CEO da TQI, a modernização desses sistemas tende a ocorrer de forma gradual, combinando controle de custos, governança eficiente e preservação do conhecimento técnico, especialmente diante de desafios como retenção de talentos.

Os debates também trouxeram uma visão prática sobre os riscos envolvidos na transformação tecnológica, incluindo impactos operacionais e a necessidade de planejamento rigoroso. A participação da alta gestão e dos conselhos foi apontada como essencial para a tomada de decisões estratégicas, assim como a formação de profissionais qualificados para sustentar a evolução tecnológica contínua.

Outro tema abordado foi o chamado "custo invisível" da não modernização, relacionado à perda de competitividade, à redução da capacidade de inovação e ao aumento da exposição a vulnerabilidades. Também foram destacadas dificuldades na atração e retenção de talentos, associadas a ambientes tecnológicos defasados.

Nesse cenário, a modernização incremental foi apontada como abordagem mais viável, com foco em entregas concretas e alinhamento às estratégias de negócio. Os painéis indicaram ainda que a arquitetura tecnológica desempenha papel central na geração de valor, ao viabilizar escalabilidade, segurança e integração entre sistemas.

A transformação também foi associada ao crescimento das organizações, com destaque para a importância de métricas claras, experimentação estruturada e integração entre áreas de tecnologia e negócio. Outro eixo relevante foi a discussão sobre o uso de nuvem e inteligência artificial em ambientes de missão crítica. Especialistas apontaram que modelos híbridos tendem a se consolidar como alternativa pragmática, equilibrando inovação e segurança. Além disso, foi ressaltada a importância de avaliar com profundidade o custo total das transformações, especialmente em processos de migração tecnológica. O cenário apresentado reforça a necessidade de maior agilidade na tomada de decisão e de capacidade contínua de adaptação, diante de um ambiente marcado por mudanças rápidas e disrupção tecnológica.

Ao longo das discussões, observou-se convergência em torno da ideia de que a modernização de sistemas críticos não se limita à atualização tecnológica, mas envolve garantir robustez operacional, produtividade e capacidade de resposta às transformações do setor.

O movimento ocorre em um contexto de maior pressão regulatória, intensificação da concorrência e avanço acelerado de novas tecnologias, fatores que ampliam a necessidade de evolução estrutural nas instituições financeiras.

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