Sábado, 10 de Outubro de 2026
18°C 30°C
São Paulo, SP
Publicidade

Dia da Educação reacende debate sobre formação para o futuro

Com foco em competências socioemocionais, a Educação 5.0 integra tecnologia e desenvolvimento humano para preparar alunos para um mercado em consta...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
28/04/2026 às 18h10
Dia da Educação reacende debate sobre formação para o futuro
Freepik

A educação global atravessa um momento de redefinição profunda, no qual a fronteira entre a alta tecnologia e a essência humana torna-se o novo campo de debate pedagógico. No centro desta transformação está a Educação 5.0, uma evolução natural da era 4.0, que priorizava a automação e a digitalização, para um modelo que coloca o bem-estar e a colaboração humana no centro da estratégia de ensino. Este movimento não é apenas uma resposta à volatilidade de um mercado de trabalho: segundo o relatório Future of Jobs mais recente do Fórum Econômico Mundial, 59% da força de trabalho global precisará de requalificação até 2030.

Especialistas do setor educacional apontam que o grande diferencial da Educação 5.0 é o desenvolvimento das chamadas soft skills. Para Matheus Louback, coordenador de Inovações Pedagógicas do Grupo Salta Educação, rede de educação básica no Brasil, "a transição foca em integrar a tecnologia a aspectos socioemocionais, garantindo que o aluno não seja apenas um consumidor passivo, mas um protagonista consciente do impacto tecnológico na sociedade".

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Itaú Educação e Trabalho em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e a rede GOYN, embora o uso de inteligência artificial (IA) seja crescente, a grande lacuna reside no letramento crítico: é preciso mover os jovens de um espaço de consumo para um de criação e consciência ética, abordando temas como equidade algorítmica e proteção de dados.

A psicopedagogia moderna defende que o aprendizado e o desenvolvimento emocional são dimensões indissociáveis. Conforme analisa Gabrieli Ribeiro, gestora psicossocial do Elite Rede de Ensino, "o estudante aprende de forma mais eficaz quando se encontra em condições emocionais que favorecem a atenção, a persistência e a disposição para enfrentar desafios cognitivos", destaca.

Nesse cenário, a autoconfiança torna-se uma ferramenta de absorção de conteúdos complexos. Alunos que confiam em sua capacidade tendem a utilizar estratégias cognitivas mais elaboradas e a recuperar-se rapidamente de erros. A construção de um ambiente seguro, em que o erro é visto como parte legítima do processo, reduz a ansiedade e o medo do fracasso, barreiras que, segundo estudos de neurociência aplicada à educação, frequentemente bloqueiam o processamento intelectual.

Uma das perguntas mais frequentes no meio acadêmico é como preparar jovens para profissões que ainda não existem. A resposta, segundo os especialistas, não reside no preparo técnico específico, mas na capacidade de adaptação. O foco educacional deslocou-se para a inteligência emocional, comunicação, trabalho em equipe e resiliência. No suporte psicopedagógico, isso se traduz na "ressignificação do erro", deslocando-o do lugar de punição para o de análise e construção de conhecimento.

Essa postura investigativa frente ao próprio desempenho é vital para o mercado de 2030, caracterizado por ciclos constantes de adaptação. Gabrieli Ribeiro elenca competências como a resiliência adaptativa, a mentalidade de crescimento e a flexibilidade cognitiva como pilares para que o indivíduo consiga lidar com a volatilidade futura. "A transição é essencial para que os alunos entendam o impacto de suas vidas na sociedade como um todo. O elemento humano primordial é o bem-estar e a colaboração do ser humano com o desenvolvimento tecnológico para o desenvolvimento de soft skills necessárias para o século XXI", enfatiza a psicopedagoga.

O novo papel do professor

Segundo Louback, com a chegada da Educação 5.0, o papel do docente sofre uma metamorfose: ele deixa de ser o único detentor do saber para tornar-se um mentor e facilitador. Essa mudança exige formação continuada para alinhar a pedagogia às necessidades de uma geração nativa digital. Para ele, a tecnologia, por sua vez, atua como um potencializador, permitindo o uso de dados para oferecer uma visibilidade sem precedentes sobre o desenvolvimento individual de cada aluno.

Por meio de indicadores como autonomia acadêmica, postura ética e engajamento, as instituições conseguem hoje criar planos de ação personalizados. "Isso garante que a escola não seja apenas um local de transmissão de conteúdo, mas um ecossistema de desenvolvimento integral. O objetivo final é formar líderes conscientes e resilientes, capazes de exercer o protagonismo em contextos complexos, garantindo que a humanização continue a ser o centro da formação, mesmo diante de um cenário de crescente digitalização", completa Matheus Louback.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Gemini
Tecnologia Há 1 dia

Industrialização e IA transformam construção civil

Inteligência artificial, BIM, Lean Construction e fabricação de componentes fora do canteiro modificam o planejamento, a execução e o controle de empreendimentos imobiliários, em um movimento voltado à produtividade, à padronização e à redução de ...

Tecnologia Há 1 dia

Jadlog amplia automação da triagem com sorter Pitney Bowes

A Jadlog instalou dois sorters da Pitney Bowes nas unidades do Rio de Janeiro e de Betim (MG). Os equipamentos processam até 5 mil pacotes por hora e 60 classificações simultâneas, buscando acelerar a triagem, reduzir erros e melhorar a previsibil...

Canva
Tecnologia Há 1 dia

Especialista alerta: a proteção vai além da marca

Embalagem copiada, software sem dono e fórmula levada por ex-funcionário são situações comuns que o registro de marca não resolve; especialista explica como evitar o prejuízo

João Rosa
Tecnologia Há 1 dia

Tecno it mira em crescimento e novos negócios em 2027

A Tecno it, empresa brasileira de tecnologia com mais de duas décadas de atuação, projeta para 2027 uma nova fase de expansão, com investimentos em inteligência artificial, data centers e cidades inteligentes. O movimento ocorre meses após a concl...

Imagem do Magnific/fanjianhua
Tecnologia Há 1 dia

Bancos elevam orçamento de tecnologia a R$ 50,4 bi em 2026

Levantamento da Febraban com a Deloitte destina R$ 3 bilhões a IA, Analytics e Big Data. Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, avalia que o retorno desses recursos depende da conexão entre dados, sistemas e participantes das relações come...