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IA avança no FM, mas dados ainda não viram decisão

O uso de inteligência artificial na gestão de infraestrutura cresce, mas ainda é limitado pela baixa maturidade operacional e pelo uso ineficiente ...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
24/04/2026 às 17h24
IA avança no FM, mas dados ainda não viram decisão
Divulgação/IFM

O uso de inteligência artificial (IA) e análise de dados na gestão de infraestrutura corporativa vem avançando no Brasil, mas ainda esbarra em limitações estruturais, como baixa qualidade da informação, sistemas desconectados e modelos operacionais pouco maduros, segundo o relatório "O Estado das Operações de FM 2026", apresentado durante o IFM Summit São Paulo.

O tema esteve entre os destaques do IFM Summit São Paulo, realizado em março, que reuniu mais de 600 profissionais de Facilities e Operações, representando cerca de 300 empresas. Organizado pela comunidade Inside Facilities Management (IFM), o encontro discutiu o papel da tecnologia na evolução da gestão de ativos, manutenção e serviços corporativos.

Uso de IA cresce, mas dados ainda são pouco explorados

O crescimento do volume de dados nas operações físicas foi um dos pontos centrais das discussões. Com a expansão de sensores, dispositivos IoT e sistemas conectados, a disponibilidade de informação cresce em ritmo acelerado.

Hugo Pereira, diretor do Grupo Orion, citou estudo da Memoori que diz que mais de 2 bilhões de dispositivos IoT foram instalados em edifícios comerciais até 2025, número que pode ultrapassar 4 bilhões até 2030. Ainda assim, cerca de 90% desses dados não são explorados de forma estruturada.

Para o executivo, a inteligência artificial já permite transformar dados operacionais em insights, identificar padrões de falha e apoiar decisões de manutenção. O principal entrave, no entanto, ainda é a falta de integração e de estrutura nas operações.

De operação reativa à gestão orientada por dados

Outro ponto recorrente foi a predominância de modelos reativos na gestão de infraestrutura. Em muitas organizações, equipes ainda operam focadas na resolução de falhas, o que limita a capacidade de planejamento e antecipação.

"Gerir hoje é prever e decidir com base em dados. Sem inteligência, a operação perde eficiência e gera menos valor", afirmou Lucas Venturini, diretor de vendas da Infraspeak para a América Latina.

A mudança de abordagem passa pela transição de rotinas emergenciais para modelos mais estruturados, com maior controle sobre ativos, processos e indicadores.

Tecnologia exige mudança de abordagem

Apesar do avanço das ferramentas, especialistas destacaram que a adoção de tecnologia, por si só, não resolve os desafios da operação. Segundo Lupis Tatin Vlatkovic, engenheiro de pré-vendas da Infraspeak, o fator humano continua sendo determinante para o sucesso da digitalização.

"A técnica é um potencializador intrínseco da vontade humana. Novas tecnologias só atingem seu pleno potencial nas mãos de profissionais dispostos a trocar a conveniência pela produtividade real", destacou. "Se o investimento pessoal para dominar uma ferramenta for zero, não será a IA que salvará os resultados de ninguém", acrescentou.

Decidir continua sendo humano

Durante a keynote de encerramento, Fernanda Carvalho, head de Real Estate e Facilities do Mercado Livre, ressaltou que, embora dados sejam fundamentais, eles não eliminam a incerteza inerente à gestão.

Segundo ela, um dos principais desafios das lideranças é transformar informação em decisões práticas, equilibrando análise, experiência e contexto. A discussão reforça que, mesmo com o avanço da inteligência artificial, decisões continuam sendo essencialmente humanas, especialmente em cenários em que nem todas as variáveis são conhecidas ou mensuráveis.

Próximo passo: integrar

As discussões indicam que o avanço da gestão de infraestrutura passa por três frentes principais: integração de dados, colaboração entre equipes e uso estruturado de inteligência sobre a operação.

A tendência é que as organizações evoluam de sistemas isolados para modelos mais conectados, nos quais diferentes fontes de dados são consolidadas e utilizadas para apoiar decisões estratégicas. Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser apenas suporte e passa a atuar como elemento central na geração de eficiência, previsibilidade e controle operacional.

Aprofundamento

Os temas discutidos durante o evento tiveram origem no relatório "O estado das operações de FM 2026", que reúne análises sobre uso de dados, inteligência artificial e evolução dos modelos de gestão. O material está disponível para download no site da comunidade IFM. A comunidade também prepara o lançamento do livro "Torne-se um gestor de facilities estratégico", com o primeiro capítulo já disponível gratuitamente.

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