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Disputa por talentos em IA cresce e pressiona formação

Escassez de profissionais faz mercado apostar na educação precoce para formar futuros talentos em IA

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
22/04/2026 às 18h16
Disputa por talentos em IA cresce e pressiona formação
Freepik

Com o início do ano letivo e a retomada das discussões no Congresso Nacional, cresce o debate sobre a inclusão de inteligência artificial (IA) e segurança digital no currículo escolar. A proposta surge como resposta a um problema que o mercado já enfrenta: a escassez de profissionais qualificados para atuar em áreas estratégicas de tecnologia.

Projetos de lei em tramitação e debates conduzidos pelo Ministério da Educação (MEC) propõem levar noções de IA, ciência de dados e cibersegurança para a formação básica, antecipando competências que hoje só aparecem no ensino técnico ou superior. A iniciativa ocorre em um momento em que empresas relatam dificuldades crescentes para preencher vagas ligadas à inovação. No Brasil, 39% das companhias relatam que a escassez de trabalhadores qualificados é o principal desafio para implementar IA. Esse cenário também é observado pela ManageEngine Brasil, fornecedora de soluções de gestão de TI empresarial que faz parte do grupo Zoho Corporation.

Conforme apontado pelo Fórum Econômico Mundial, 37% das competências existentes dos brasileiros precisarão ser adaptadas ou correrão o risco de se tornarem obsoletas até 2030. As principais competências em ascensão incluem pensamento analítico, Big Data e IA, cibersegurança e literacia tecnológica. Como resultado, estudantes e jovens profissionais estão a seguir carreiras com forte potencial de crescimento.

De acordo com o relatório, cargos ligados à IA e machine learning devem crescer mais de 100% até 2030. Analistas e cientistas de dados também aparecem entre as mais promissoras, com projeção de alta de 42% nos próximos quatro anos, além de posições em cibersegurança e Big Data.

Enquanto o sistema educacional discute como preparar alunos desde cedo para esse novo cenário, empresas já querem se aproximar desses talentos emergentes. O relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que 69% das empresas pretendem contratar profissionais com habilidades para desenvolver e adaptar ferramentas de IA às necessidades da organização, enquanto 62% planejam recrutar talentos com competências para atuar em conjunto com a tecnologia.

"Estratégias inovadoras de atração de talentos, como gamificação, são formas eficazes de engajar profissionais e fortalecer o recrutamento", comenta Tonimar Dal Aba, gerente técnico da ManageEngine Brasil.

Dal Aba lista quatro tipos de iniciativas que vêm ganhando espaço na atração e desenvolvimento de talentos em tecnologia:

1. Hackathons: eventos colaborativos voltados a ideias inovadoras e testes que permitem às empresas identificarem habilidades técnicas e comportamentais em situações reais;

2. Bootcamps: para os profissionais que estão aprendendo novas habilidades e ferramentas, ter acesso a especialistas relevantes é bem atrativo. O impacto não é apenas na atração, mas na retenção;

3. Requalificação interna: a estratégia ajuda a identificar e lapidar profissionais que já fazem parte da companhia. O movimento horizontal e vertical subsequente é benéfico para todos;

4. Programas de residência: inspiradas em modelos acadêmicos, essas iniciativas oferecem aos talentos a chance de trabalhar em projetos de ponta com mentoria de especialistas e acesso à infraestrutura avançada.

"A disputa por talentos em inteligência artificial já é uma realidade para empresas de todos os setores e tende a se intensificar nos próximos anos. Diante desse cenário, organizações precisarão combinar estratégias de atração, desenvolvimento e retenção de profissionais. Ao mesmo tempo, instituições públicas e privadas terão um papel decisivo na formação das próximas gerações de especialistas capazes de sustentar a economia digital", finaliza Dal Aba.

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