
Vivemos sob uma ditadura: a dos algoritmos. Não há militares nas esquinas, mas há uma tirania silenciosa de códigos decidindo o que você deve odiar antes mesmo do primeiro café.
O algoritmo deixou de ser ferramenta para se tornar agente independente. Ele aprendeu a lição de que o "medo" engaja e o "fato", entedia.
Para a máquina, uma mentira que prende o usuário na tela vale mil vezes mais que uma verdade que o faz refletir e desligar o aparelho.
Quer um exemplo disso: Em Myanmar, o Facebook era, para a maioria da população, a própria internet. O algoritmo da plataforma foi desenhado com um único objetivo: maximizar o engajamento.
A plataforma impulsionou mensagens de ódio para milhões de pessoas. O resultado foi uma limpeza étnica real, com vilas queimadas e milhares de mortos. Em 2018, a própria ONU declarou que o Facebook teve um "papel determinante" na propagação do ódio que levou às atrocidades.
E o que dizer do que aconteceu no Brasil nos ultimos anos onde tivemos diversas fake news e outros dicursos de o ódio amplificando a polarização. E o Kit Gay? E o Lula ? E o Pêtê ? Hein ?
A coisa toda tende a piorar com a IA.
Jogaram a nossa população em um oceano digital sem colete salva-vidas. Falta letramento — não o de juntar letras, mas o de interpretar e decifrar interesses.
Sem o filtro para separar a "alucinação" da Inteligência Artificial de um documento real, o eleitor vira massa de manobra de uma burocracia silenciosa que ele sequer compreende.
É neste cenário que o jornalismo profissional fica na linha de frente. No livro Nexus, o historiador Yuval Noah Harari defende que nos Sistemas de IA, há possibilidades reais para se criar uma "burocracia do silício" onde se decidiria quem recebe crédito, quem vai preso ou qual narrativa política domina, sem que nenhum humano consiga explicar o porquê.
Harari é preciso: o antídoto contra a rede de mentiras é uma instituição que possui mecanismos de autocorreção. Sabemos que nunca o algoritmo pede desculpas; ele apenas recalcula a rota do lucro. Um jornal, quando erra, se corrige. Tem rosto, tem nome e tem responsabilidade.
Se a IA fabrica verdades personalizadas para cada bolha, o jornalismo oferece uma verdade compartilhada e aproximada. Aquela que incomoda e tira o sono, mas que é o único chão firme onde a democracia consegue caminhar.
Sem o jornalista para filtrar a frieza do código, as eleições poderão em breve serem decididas por quem melhor manipula a "vontade da máquina".
A soberania do pensamento humano ainda resiste. Mas a pergunta que fica, martelando no teclado, é: por quanto tempo?
A liberdade, agora, depende de saber quem está, ou estará, dominando seu smartphone