Sábado, 10 de Outubro de 2026
18°C 30°C
São Paulo, SP
Publicidade

TI ganha protagonismo e avança para cargos estratégicos

Especialista explica como competências de liderança e visão de negócio se tornaram essenciais para que profissionais de tecnologia ocupem posições ...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
14/04/2026 às 14h02
TI ganha protagonismo e avança para cargos estratégicos
Imagem de Freepik/rawpixel.com

A presença de profissionais de tecnologia em cargos executivos tem se intensificado nos últimos anos, fazendo com que CIOs (Chief Information Officer — ou diretor de TI, em português), executivos de transformação e outros líderes de Tecnologia da Informação (TI) passem a ocupar espaço em conselhos e diretorias. Isso tem refletido uma mudança estrutural no papel da tecnologia dentro das organizações. Antes vista como área de suporte, responsável por garantir operação e eficiência, a TI hoje atua como motor estratégico, influenciando diretamente indicadores como receita, EBITDA, retorno sobre o investimento (ROI) e métricas de crescimento como custo de aquisição de clientes (CAC) e lifetime value (LTV). Esse movimento tem impulsionado a ascensão de profissionais de tecnologia a posições de liderança e consultoria executiva.

Estudos recentes corroboram essa tendência. Pesquisa realizada pela Deloitte em parceria com a IT Mídia aponta que 92% dos CIOs brasileiros acreditam que a "ambidestria" (a capacidade de equilibrar eficiência operacional e inovação) é essencial para liderar em cenários de crise. De acordo com a análise apresentada pelo Insper, esse movimento acompanha a própria transformação digital das organizações, na qual a tecnologia deixa de ser um "centro de custo" e passa a atuar como habilitadora de resultados e inovação.

Nesse contexto, o profissional de TI ganha protagonismo como um "influenciador de negócios", responsável por disseminar soluções digitais, colaborar diretamente com equipes de produto e contribuir para decisões estratégicas, exigindo não apenas domínio técnico, mas também habilidades como visão de negócio, comunicação, empAitia e capacidade de influência dentro das organizações.

De acordo com o especialista Marcelo Gaspar, presidente do capítulo DTWI (Digital Transformation World Institute) no Brasil e criador da newsletter Transformation Executive, uma das referências de transformação executiva e digital no LinkedIn, esse avanço é resultado direto da transformação do papel da tecnologia. "Hoje o setor atua como impulsionador e, em muitos casos, como agente direto de mudança e evolução do negócio", afirma.

Segundo ele, esse impacto também se reflete na forma como investimentos são estruturados, com decisões cada vez mais orientadas pela relação entre CAPEX e OPEX, buscando maior flexibilidade, escalabilidade e eficiência financeira. Apesar do avanço, a transição para cargos executivos não é simples. Gaspar observa que muitos profissionais acreditam que se aprofundar apenas em conhecimento técnico é suficiente, quando o nível estratégico exige postura executiva e capacidade de se comunicar na linguagem do negócio.

"Não se trata apenas de saber mais, mas de influenciar decisões, sustentar prioridades e conectar tecnologia a impacto mensurável. Sem essa mudança, o profissional permanece distante das decisões que impactam e definem o rumo da empresa", explica.

O especialista informa que as competências mais demandadas pelo mercado vão além da técnica. "A primeira é a capacidade de traduzir tecnologia em impacto de negócio, conectando iniciativas a crescimento, eficiência e experiência. A segunda é a liderança em ambientes de transformação, com habilidade para tomar decisões em cenários de ambiguidade e conduzir mudanças organizacionais", acrescenta.

"A terceira é a visão sistêmica, que permite entender como estratégia, operação, cultura, dados e tecnologia se interdependem. Nesse contexto, ganha protagonismo o perfil do ‘nexialista’, o profissional que conecta diferentes domínios e transforma essa conexão em direção estratégica e geração de valor", completa.

O posicionamento como agente de transformação digital também exige mudança de perspectiva. Gaspar ressalta que a transformação não é sobre tecnologia, mas sobre mudança de negócio impulsionada por ela. "Isso significa participar das discussões estratégicas, influenciar prioridades e conectar iniciativas tecnológicas aos objetivos da organização", pontua.

"Historicamente, a TI foi medida por indicadores operacionais, como SLA, focados em disponibilidade técnica. Hoje, o foco evolui para XLA, em que o que importa é a experiência percebida e o impacto gerado no negócio, usando métricas de fidelidade e satisfação como NPS e CSAT", avalia.

As tendências de carreira apontam para a valorização do profissional integrador como eixo de decisão nas organizações. Além das posições executivas tradicionais, cresce a atuação como consultor executivo, especialmente em contextos de transformação digital, em que empresas buscam visão externa e capacidade de direcionamento estratégico.

"O reconhecimento passa a estar diretamente ligado à capacidade de influenciar indicadores financeiros e potencializar o crescimento, gerar valor e acelerar a execução estratégica por meio da redução do time-to-market. Outro ponto é que a evolução de carreira tende a se tornar menos linear: tempo de experiência perde relevância frente à capacidade de gerar impacto", destaca Gaspar.

Para quem deseja se preparar para cargos de liderança em tecnologia, o especialista orienta que o primeiro passo é mudar a forma de pensar e de se posicionar. "É fundamental entender como a empresa gera valor, quais são seus principais indicadores estratégicos e onde estão as decisões que realmente importam. Na sequência, é necessário desenvolver a capacidade de conectar tecnologia a esses indicadores, deixando de falar apenas de solução e passando a falar de impacto", enfatiza.

Gaspar reforça que a evolução para o nível executivo não é espontânea: "É um processo intencional que exige posicionamento, consistência e, principalmente, a capacidade de operar como um nexialista na prática, seja nas organizações ou atuando como consultor executivo", conclui. Para saber mais, basta acessar a newsletter Transformation Executive.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Gemini
Tecnologia Há 1 dia

Industrialização e IA transformam construção civil

Inteligência artificial, BIM, Lean Construction e fabricação de componentes fora do canteiro modificam o planejamento, a execução e o controle de empreendimentos imobiliários, em um movimento voltado à produtividade, à padronização e à redução de ...

Tecnologia Há 1 dia

Jadlog amplia automação da triagem com sorter Pitney Bowes

A Jadlog instalou dois sorters da Pitney Bowes nas unidades do Rio de Janeiro e de Betim (MG). Os equipamentos processam até 5 mil pacotes por hora e 60 classificações simultâneas, buscando acelerar a triagem, reduzir erros e melhorar a previsibil...

Canva
Tecnologia Há 1 dia

Especialista alerta: a proteção vai além da marca

Embalagem copiada, software sem dono e fórmula levada por ex-funcionário são situações comuns que o registro de marca não resolve; especialista explica como evitar o prejuízo

João Rosa
Tecnologia Há 1 dia

Tecno it mira em crescimento e novos negócios em 2027

A Tecno it, empresa brasileira de tecnologia com mais de duas décadas de atuação, projeta para 2027 uma nova fase de expansão, com investimentos em inteligência artificial, data centers e cidades inteligentes. O movimento ocorre meses após a concl...

Imagem do Magnific/fanjianhua
Tecnologia Há 1 dia

Bancos elevam orçamento de tecnologia a R$ 50,4 bi em 2026

Levantamento da Febraban com a Deloitte destina R$ 3 bilhões a IA, Analytics e Big Data. Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, avalia que o retorno desses recursos depende da conexão entre dados, sistemas e participantes das relações come...