
Após quase três anos usufruindo do prestígio e da estrutura da Esplanada dos Ministérios, o Progressistas (PP) deu um ultimato no ano passado: todos os filiados deveriam entregar seus cargos no governo federal.
A ordem visava alinhar a legenda à oposição e costurar uma aliança nacional com o PL para as próximas eleições.
Mas houve uma resistência interna barulhenta.
André Fufuca, então titular da pasta do Esporte, ignorou o comando da cúpula partidária.
O preço da desobediência foi alto: ele perdeu a vice-presidência nacional do PP e o comando do diretório no Maranhão. No entanto, em entrevista a VEJA, Fufuca demonstra que o cálculo político foi preciso.
De olho no eleitorado maranhense — onde Lula obteve 71% dos votos em 2022 —, ele afirma que a gratidão ao presidente supera a fidelidade partidária.
Durante a entrevista, o parlamentar também defendeu o atual modelo de distribuição de emendas parlamentares, incluindo as de comissão.
Para Fufuca, o mecanismo representa um avanço institucional e fortalece a atuação do Congresso Nacional junto aos municípios.
Ele destacou ainda o papel do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino na mediação de impasses entre os Poderes, especialmente nas discussões envolvendo o Orçamento. Segundo o deputado, a experiência política de Dino pode contribuir para o equilíbrio entre Judiciário e Legislativo.
"Anistia, não"
Um dos pontos mais contundentes da entrevista toca na ferida aberta do 8 de Janeiro. Enquanto setores da direita e do próprio PP articulam projetos de anistia para os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, Fufuca é taxativo ao se posicionar contra qualquer perdão a crimes contra ao Estadp de Direito
"Anistia, não. Atentar contra a democracia não é brincadeira. É algo muito grave. O que se tentou fazer no Brasil foi um ato contra os poderes, contra as instituições", afirma o ex-ministro.
Repercussão local
No Maranhão , onde o eleitorado historicamente apresenta maior alinhamento com o presidente Lula a , depender da configuração das alianças, o ministro pode se consolidar como uma das principais lideranças do estado em composições majoritárias vinculadas ao projeto político do governo federal.