
Na liturgia do Judiciário, o termo latino inauditus refere-se àquilo que é feito sem ouvir a parte contrária. Ironia ou não, o nome batizou a operação da Polícia Federal que, nesta quarta-feira, 1º, sacudiu os alicerces do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
O que a PF descreve é uma verdadeira engrenagem de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro instalada no coração da segunda instância maranhense.
Com 25 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Operação Inauditus mirou o topo da pirâmide.
Entre os alvos, nomes de peso da magistratura estadual: os desembargadores Guerreiro Júnior — que já colecionava um afastamento anterior — e Luiz de França Belchior, este último localizado pela PF em Fortaleza (CE) e agora oficialmente afastado de suas funções.
As investigações revelam o que os investigadores chamam de "celeridade seletiva". No jargão da PF, trata-se do eufemismo para sentenças que tramitam na velocidade da luz quando há interesses (e vantagens indevidas) em jogo. O esquema operava com um refinamento burocrático: incluía o direcionamento de decisões, fraudes na distribuição de processos por prevenção e uma atuação coordenada entre magistrados, assessores e advogados para beneficiar partes específicas em litígios milionários.
Para ocultar o rastro do dinheiro, a organização criminosa utilizava a "triangulação" financeira — um método clássico de lavagem de dinheiro para distanciar a origem ilícita dos recursos de seus destinatários finais. O staff do tribunal não ficou de fora: assessores e ex-servidores são apontados como peças-chave na logística do balcão de sentenças.
A lista de alvos do STJ é extensa e eclética, unindo a elite da toga ao mundo dos negócios:
O caso Inauditus reforça uma máxima incômoda: quando a balança da justiça é viciada pelo peso do dinheiro, o veredito final é sempre contra o Estado de Direito.
Entre os alvos da Operação Inauditus estão: