
O que era para ser o grande empurrão virou um freio brusco e público. Na manhã desta terça-feira (31), a deputada estadual Mical Damasceno sofreu uma derrota daquelas que ecoam longe: foi barrada pela própria base religiosa na tentativa de disputar o Senado. Sim, dentro de casa.
Em reunião reservada, o conselho político da Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Maranhão (CEADEMA) não titubeou. O recado foi direto: o projeto não se sustenta. Nos bastidores, a leitura é de que a disputa ao Senado é pesada demais e Mical não teria densidade política para encarar o confronto.
A ironia não passou despercebida: quem contava com a força do púlpito acabou sem respaldo nem no banco da igreja. A rejeição interna expôs fragilidades que agora ficam difíceis de esconder do eleitorado.
Sem saída, a deputada tenta virar o jogo às pressas. O novo plano é disputar uma vaga na Câmara Federal, mirando o espaço deixado pelo pastor Gil, que enfrenta processos e já foi condenado por improbidade administrativa. A aposta é ocupar o vácuo mas o caminho está longe de ser tranquilo.
Isso porque a resistência não desapareceu. Pelo contrário. Parte significativa da própria comunidade evangélica segue desconfiada, e o apoio que deveria ser automático virou um campo minado político.
Nos bastidores, o comentário é um só: quando a candidatura não passa nem pelo crivo da própria igreja, fica difícil convencer o resto do Maranhão.