
O MDB no Maranhão intensifica os movimentos para as eleições de 2026 com uma estratégia ambiciosa: formar uma das chapas mais competitivas para a Câmara Federal.
Sob a liderança do grupo político ligado à família Brandão, o partido aposta na força coletiva para ampliar sua bancada em Brasília.
No entanto, o cenário desenhado nos bastidores revela que a robustez da nominata pode trazer um efeito colateral delicado — uma disputa interna acirrada, com risco real de nomes tradicionais ficarem fora da lista de eleitos.
Bancada forte, disputa interna acirrada
A configuração atual do MDB reúne pré-candidatos com potencial eleitoral elevado, muitos deles com projeções superiores a 70 mil votos. Esse equilíbrio por cima transforma a disputa em um ambiente altamente competitivo, no qual a diferença entre conquistar uma vaga e ficar na suplência pode ser mínima.
Três blocos definem a correlação de forças
A pré-chapa em construção evidencia três núcleos distintos dentro do partido, cada um com características próprias e peso político relevante.
Veteranos com mandato
Entre os parlamentares já consolidados, destacam-se nomes com experiência em Brasília e forte presença eleitoral no interior do estado. Hildo Rocha mantém influência como articulador político, enquanto Josivaldo JP se apoia em sua base na Região Tocantina e no diálogo com segmentos evangélicos e empresariais. Cleber Verde e Júnior Lourenço também figuram como nomes competitivos, com histórico de votações expressivas e capilaridade nos municípios.
Forças emergentes ligadas às prefeituras
Um segundo bloco é formado por lideranças em ascensão, com forte apoio municipal. Giselle Bezerra surge impulsionada pelo grupo político de Timon, enquanto Larissa DP entra na disputa com uma estrutura robusta de articulação. Já Vinícius Ferro, ex-secretário estadual, agrega apoio de lideranças políticas e trânsito no governo.
Nomes de grande impacto eleitoral
O terceiro grupo reúne figuras com potencial de alterar significativamente o desempenho da chapa. A ex-governadora Roseana Sarney, caso não dispute o Senado, aparece como um dos principais ativos eleitorais do partido, capaz de elevar o desempenho coletivo. Já a possível filiação do deputado Duarte Jr. é vista com cautela por integrantes da legenda, diante de seu perfil de forte “puxador de votos”, especialmente na capital.
Quociente eleitoral eleva o nível de incerteza
Com uma nominata numerosa e competitiva, o MDB passa a depender diretamente do quociente eleitoral para transformar votos em cadeiras. A estratégia mira a conquista de quatro a cinco vagas, mas exige desempenho coletivo elevado. Nesse cenário, mesmo candidatos bem votados podem não alcançar a eleição, dependendo do desempenho geral da chapa.
Bastidores revelam tensão e cautela
Nos bastidores, o clima é de atenção redobrada. A formação de uma chapa tão robusta, embora aumente as chances de protagonismo do MDB, também cria um ambiente de disputa interna intensa. Lideranças com bases regionalizadas já avaliam estratégias para preservar seus redutos eleitorais diante do avanço de nomes com maior alcance estadual.
A resistência à entrada de novos concorrentes de peso expõe o receio de parte dos pré-candidatos. A avaliação interna é de que a disputa de 2026 tende a ser uma das mais imprevisíveis dos últimos anos no Maranhão, onde o volume de votos, isoladamente, pode não ser suficiente para garantir um mandato.