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Pequenas empresas criam softwares e reduzem custos

Avanço de plataformas no-code, low-code e inteligência artificial permite que micro e pequenas empresas desenvolvam soluções sob medida, reduzindo ...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
18/03/2026 às 14h42
Pequenas empresas criam softwares e reduzem custos
Ever Contábil

Durante anos, a principal alternativa para micro e pequenas empresas foi contratar softwares prontos no modelo SaaS (Software as a Service), sistemas alugados na nuvem, pagos por assinatura e com pacotes de funcionalidades padronizadas. Apesar de práticos, esses sistemas muitas vezes geram custos recorrentes elevados e oferecem recursos que nem sempre se encaixam na realidade dos pequenos negócios.

Esse cenário começa a mudar. De acordo com análises do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) sobre tecnologias no-code, o amadurecimento das plataformas de desenvolvimento sem código, aliado à popularização da inteligência artificial (IA), tem permitido que pequenas empresas desenvolvam soluções próprias com menor custo e maior eficiência operacional.

A maturidade digital das pequenas empresas

O movimento não é isolado. Segundo levantamento do Sebrae, 47% dos pequenos negócios já utilizam softwares ou aplicativos integrativos para apoiar a gestão, evidenciando o avanço da digitalização nas rotinas administrativas e financeiras das empresas.

Esse ambiente favorece a criação de sistemas próprios, permitindo que pequenas empresas deixem de atuar apenas como consumidoras de tecnologia e passem também a desenvolver soluções adaptadas às suas operações.

Por que vale a pena desenvolver um sistema próprio

Para micro e pequenas empresas, criar uma solução digital personalizada pode trazer benefícios relevantes em diferentes frentes.

A redução de custos é um dos fatores mais citados. Assinaturas de softwares SaaS podem parecer pequenas individualmente, mas, somadas ao longo do tempo ou cobradas por usuário, podem representar valores significativos para empresas em crescimento.

Outro ponto é a personalização. Em vez de adaptar seus processos às limitações de um sistema externo, as empresas passam a desenvolver ferramentas alinhadas à sua realidade operacional. Fluxos de trabalho, relatórios e integrações podem ser ajustados para atender necessidades específicas.

A autonomia tecnológica também ganha destaque. Com um sistema próprio, novos módulos e funcionalidades podem ser implementados conforme surgem demandas internas, sem depender do cronograma de atualização de fornecedores.

A integração com inteligência artificial também se torna mais acessível. Hoje já é possível automatizar tarefas como leitura de notas fiscais, organização de grandes volumes de dados e geração de relatórios gerenciais.

Segundo conteúdos técnicos sobre inovação digital publicados pelo Sebrae, plataformas no-code e low-code contribuem para reduzir barreiras técnicas ao desenvolvimento de sistemas, permitindo que empresas implementem soluções digitais de forma mais rápida e com menor necessidade de conhecimento em programação.

Experiência prática na Ever Contábil

Segundo Rodrigo Schluchting, CEO da Ever Contábil, a decisão de investir em tecnologia própria surgiu a partir da dependência de sistemas externos. "Antes, nós utilizávamos um software em modelo SaaS para buscar informações das empresas na Receita Federal. Pagávamos mensalmente por esse serviço. Hoje, já desenvolvemos internamente essa mesma funcionalidade dentro do nosso próprio sistema, muito mais personalizado e em sintonia com nossa operação", afirma.

A iniciativa evoluiu rapidamente. Atualmente, a empresa trabalha no desenvolvimento de um software contábil proprietário, cujo módulo fiscal já opera com integração de inteligência artificial.

De acordo com Schluchting, a tecnologia permite automatizar etapas como busca de notas fiscais, processamento de dados e apuração de informações contábeis.

Os próximos passos incluem o desenvolvimento de módulos financeiros, contábeis e de departamento pessoal, ampliando as funcionalidades do sistema e alinhando a tecnologia à operação da empresa.

Desafios no caminho

Apesar dos avanços tecnológicos, desenvolver sistemas internos ainda exige atenção a alguns fatores. A segurança da informação e a escalabilidade são pontos essenciais, mesmo quando se utilizam plataformas no-code ou low-code.

Além disso, setores regulados, como o contábil e o financeiro, precisam garantir que os softwares utilizados estejam sempre atualizados em relação às normas fiscais e tributárias.

Outro desafio está na cultura organizacional. A adoção de novas ferramentas exige adaptação das equipes, treinamento e incorporação de práticas digitais na rotina de trabalho.

Com a evolução das plataformas de desenvolvimento e a integração crescente da inteligência artificial, construir sistemas próprios deixa de ser uma exclusividade de grandes corporações e passa a se tornar uma estratégia cada vez mais presente entre pequenas empresas brasileiras.

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