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IA no trabalho cresce, mas confiança não acompanha

O Barômetro Global de Talentos 2026, do ManpowerGroup, mostra que o uso regular de inteligência artificial entre profissionais aumentou globalmente...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
16/03/2026 às 20h47
IA no trabalho cresce, mas confiança não acompanha
LightFieldStudios

A adoção da inteligência artificial segue avançando no mundo do trabalho, mas esse movimento não tem sido acompanhado por um aumento na confiança dos profissionais. Segundo o Barômetro Global de Talentos 2026, do ManpowerGroup, o uso regular de IA cresceu 13 pontos percentuais no último ano e já atinge 45% da força de trabalho global. No mesmo período, a confiança no uso da tecnologia caiu 18%.

Pela primeira vez em três anos, o índice geral de confiança dos trabalhadores apresentou retração, resultando em uma pontuação global de 67% no levantamento. Os dados indicam que, embora os profissionais se sintam preparados para as funções que exercem atualmente, cresce a incerteza em relação aos próximos passos da carreira em um ambiente marcado por rápidas mudanças tecnológicas.

Segundo o Barômetro Global de Talentos 2026, 89% dos trabalhadores afirmam ter as habilidades necessárias para ter sucesso em seus cargos atuais. Em contrapartida, 43% temem que a automação possa substituir seus empregos nos próximos dois anos, um aumento de cinco pontos percentuais em comparação com 2025. Esse cenário impulsiona o chamado job hugging, comportamento no qual profissionais optam por permanecer em seus empregos atuais em busca de estabilidade. Hoje, 64% afirmam que pretendem continuar na mesma empresa diante das incertezas do mercado.

Nilson Pereira, CEO do ManpowerGroup Brasil, avalia que o avanço da inteligência artificial tem colocado líderes diante do desafio de gerir o presente e o futuro simultaneamente. Para ele, os profissionais esperam que as organizações façam a conexão entre as competências que possuem hoje e aquelas que precisarão desenvolver nos próximos anos, sem que isso aconteça às custas do bem-estar."O estudo reforça a necessidade de reduzir a distância entre inovação e inclusão, garantindo que o progresso seja conduzido de forma humana e sustentável", comenta o executivo.

Apesar do avanço acelerado da inteligência artificial, o Barômetro Global de Talentos 2026 indica uma queda relevante na confiança dos profissionais em relação ao uso da tecnologia. O recuo é mais acentuado com as gerações mais maduras: entre os Baby Boomers, a confiança tecnológica diminuiu 35%, enquanto na Geração X a redução foi de 25%. Esse movimento foi o principal fator para a queda do sentimento geral em comparação ao ano anterior.

A falta de acesso a desenvolvimento profissional contribui para esse cenário. Mais da metade da força de trabalho global afirma não ter recebido nenhum treinamento recente (56%) e não ter acesso a programas de mentoria (57%), tornando a preparação de habilidades um dos principais desafios para empresas e profissionais à medida que o uso da IA se intensifica.

O estudo também reforça que o bem-estar segue como um ponto de atenção. Quase dois terços dos trabalhadores (63%) relatam vivenciar burnout, impulsionado principalmente por altos níveis de estresse (28%) e excesso de carga de trabalho (24%). Em 2026, o Índice de Bem-Estar permaneceu em 67%, enquanto a satisfação no trabalho ficou em 62%.

A pressão financeira é outro fator relevante. Metade dos profissionais (50%) afirma complementar a renda principal, percentual que sobe para 68% entre trabalhadores da Geração Z. Esse contexto ajuda a explicar por que o job hugging é, muitas vezes, uma escolha motivada por necessidade, e não por engajamento ou lealdade à organização.

Por fim, os dados da pesquisa indicam que a fase inicial de entusiasmo com a inteligência artificial terminou. À medida que a tecnologia se torna parte da rotina, as organizações que investirem em pessoas com o mesmo nível de prioridade dedicado à tecnologia — por meio de comunicação transparente, capacitação direcionada, mentoria e apoio ao bem-estar — estarão mais bem posicionadas para ampliar a produtividade e reter talentos em um cenário de transformação contínua.

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