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Escassez de talentos em TI desafia empresas

Vinicius Simionato, managing director e cofundador da YellowIpe, explica que a formação e especialização de mão de obra não acompanharam o ritmo de...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
13/03/2026 às 12h46
Escassez de talentos em TI desafia empresas
Freepik/DC Studio

As áreas de tecnologia da informação (TI) seguem entre as mais pressionadas pela escassez de talentos no Brasil. Estudos do setor indicam um descasamento estrutural entre oferta e demanda: em 2023, o Google estimou um déficit de 530 mil profissionais de TI até 2025, refletindo a aceleração digital e a dificuldade de formar profissionais no ritmo necessário.

Na prática, a dificuldade de contratação aparece de forma ampla no mercado. O Índice de Confiança Robert Half registrou que 84% das empresas relataram dificuldades para contratar no fim de 2024. Diante desse cenário, as respostas mais comuns passam por formação interna e mobilidade, além de ajustes na proposta de valor ao talento (remuneração, benefícios e flexibilidade). Relatórios globais também reforçam a tendência de aumento da mobilidade interna como alavanca para cobrir lacunas críticas.

"A demanda por competências críticas cresceu num ritmo superior à capacidade de formação e especialização do mercado, especialmente em áreas ligadas à transformação digital e à modernização de plataformas", avalia Vinicius Simionato, managing director e cofundador da YellowIpe. Uma das frentes de atuação da empresa é o recrutamento e seleção de profissionais de TI em diferentes países.

Segundo Simionato, a consolidação do trabalho remoto também ampliou a competição internacional. Hoje, empresas nacionais e estrangeiras concorrem pelos mesmos perfis, o que pressiona a disponibilidade, os prazos e os custos. A evolução tecnológica rápida cria novas especializações com frequência, mantendo o mercado em tensão e elevando continuamente o nível de exigência.

"Além de engenharia de software, cloud e segurança, vemos forte tensão em engenharia de dados, arquitetura de dados, engenharia de plataforma e perfis híbridos que conectam negócio e tecnologia, por exemplo, product data, analytics e AI product. A diferença agora é que muitos projetos exigem equipe completa, não apenas um ou dois especialistas: dados bem estruturados, pipelines confiáveis, governança, segurança e capacidade de colocar soluções em produção com previsibilidade", pontua Simionato.

Nesse cenário, as organizações perceberam que depender exclusivamente de contratação local e estruturas rígidas reduz a competitividade. O que se vê é uma transição para modelos mais flexíveis e estratégicos, combinando equipes internas, talento distribuído em outras cidades e até outros países e, em alguns casos, apoio de parceiros especializados, explica o cofundador da YellowIpe.

Como exemplo desse modelo, uma empresa contrata, para um mesmo projeto, um programador residente nos Estados Unidos e um engenheiro de dados alocado no escritório presencial no Brasil. Além disso, opta por fechar contrato com uma companhia especializada em Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e compliance para dar suporte à equipe.

"As empresas precisam definir com clareza o que deve ser local, como funções mais sensíveis ao contexto, integração com áreas de negócio e rituais de alinhamento, e o que pode ser distribuído globalmente para ganhar escala e especialização. Híbrido bem implementado é intencional: combina proximidade onde faz diferença e distribuição onde traz eficiência, mantendo cultura e governança", detalha Simionato.

O modelo traz também alguns desafios. Os mais comuns são coordenação em múltiplos fusos, comunicação assíncrona, alinhamento cultural e consistência de padrões técnicos, diz Simionato.

"O que costuma funcionar é uma definição clara de papéis, processos de entrega bem estabelecidos, documentação, métricas e liderança capaz de garantir previsibilidade. Em frentes mais sensíveis, como as que dependem fortemente de dados, segurança e automação, essa governança é determinante para reduzir risco e aumentar a confiança na execução", acrescenta ele.

O executivo cita um exemplo de como a YellowIpe estrutura esses processos. "Apoiamos desde a identificação e alocação de talento em diferentes mercados até modelos que combinam equipes internas, squads distribuídos e, quando necessário, componentes geridos sob demanda, especialmente em fases de transição, quando a empresa precisa acelerar sem perder controle. Na prática, podemos ajudar a reduzir o tempo de contratação e a fricção operacional com foco em alinhamento cultural, padrões de entrega e conformidade entre geografias", descreve.

Para saber mais, basta acessar: https://www.yellowipe.io/pt

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