Domingo, 11 de Outubro de 2026
19°C 29°C
São Paulo, SP
Publicidade

Dados se tornam o novo DNA da inteligência corporativa

Segundo o especialista em IA Breno Lobato, fundador do Grupo BLVR e da AYA, as informações deixaram de ser meros ativos intangíveis para se tornare...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
11/03/2026 às 17h21
Dados se tornam o novo DNA da inteligência corporativa
Imagem gerada por IA / DALL·E (OpenAI)

Na economia digital, os dados deixaram de ocupar um papel meramente operacional para se consolidarem como um dos principais ativos estratégicos das empresas. Segundo estudo da International Data Corporation (IDC), o volume global de dados estava estimado a ultrapassar 175 zettabytes até 2025, impulsionado pela expansão da computação em nuvem, da inteligência artificial e da digitalização dos negócios. Esse crescimento acelerado tem levado organizações de diferentes setores a investir de forma mais estruturada na organização, integração e governança das informações, transformando dados em base para decisões em tempo real, aumento de eficiência operacional e vantagem competitiva em mercados cada vez mais orientados por tecnologia.

Nesse contexto, companhias que conseguem transformar grandes volumes de dados em inteligência aplicada tendem a ganhar vantagem competitiva sustentável. Estudos internacionais indicam que empresas orientadas por dados — as chamadas data-driven — registram índices superiores de crescimento e rentabilidade em comparação às concorrentes.

Para Breno Lobato, especialista em IA e fundador do Grupo BLVR e da AYA, a próxima grande transformação do mundo corporativo não está nos modelos em si, mas na forma como as companhias tratam seus próprios ativos informacionais. Segundo ele, as informações deixaram de ser apenas ativos intangíveis para se tornarem a base genética da inteligência organizacional. "Dados não são ativos no balanço. São genes no DNA da inteligência corporativa", resume.

Na visão do executivo, companhias que ainda operam sob a lógica tradicional de business intelligence — focadas em relatórios e previsões — correm o risco de ficar estruturalmente atrás de concorrentes que já usam dados como insumo direto para criação. Hoje, agentes de IA podem assumir funções completas, da venda ao atendimento, da criação de campanhas à tomada de decisões operacionais, desde que sejam alimentados por bases proprietárias bem estruturadas, alinhadas ao negócio, à cultura e ao propósito da organização.

Essa mudança desloca o centro da estratégia empresarial: governança de dados deixa de ser um tema técnico e passa a ocupar a mesa do CEO. Dois negócios usando exatamente o mesmo modelo de IA podem gerar resultados radicalmente diferentes dependendo da curadoria informacional por trás do sistema. "A base de conhecimento proprietária se torna o verdadeiro diferencial competitivo. A IA é commodity. O que importa é o que você coloca dentro dela", afirma Breno.

Outro ponto-chave é a escala. Se antes crescer significava contratar mais pessoas, agora significa replicar inteligências bem treinadas. Um agente que aprende a vender com a voz, os argumentos e o posicionamento da empresa pode ser duplicado infinitamente, com custo marginal próximo de zero. Para Breno, a corrida não é por mais dados, mas pela combinação certa entre conhecimento teórico, histórico do negócio, processos operacionais e propósito organizacional — é essa nutrição que transforma uma inteligência genérica em vantagem competitiva real.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Gemini
Tecnologia Há 1 dia

Industrialização e IA transformam construção civil

Inteligência artificial, BIM, Lean Construction e fabricação de componentes fora do canteiro modificam o planejamento, a execução e o controle de empreendimentos imobiliários, em um movimento voltado à produtividade, à padronização e à redução de ...

Tecnologia Há 1 dia

Jadlog amplia automação da triagem com sorter Pitney Bowes

A Jadlog instalou dois sorters da Pitney Bowes nas unidades do Rio de Janeiro e de Betim (MG). Os equipamentos processam até 5 mil pacotes por hora e 60 classificações simultâneas, buscando acelerar a triagem, reduzir erros e melhorar a previsibil...

Canva
Tecnologia Há 1 dia

Especialista alerta: a proteção vai além da marca

Embalagem copiada, software sem dono e fórmula levada por ex-funcionário são situações comuns que o registro de marca não resolve; especialista explica como evitar o prejuízo

João Rosa
Tecnologia Há 1 dia

Tecno it mira em crescimento e novos negócios em 2027

A Tecno it, empresa brasileira de tecnologia com mais de duas décadas de atuação, projeta para 2027 uma nova fase de expansão, com investimentos em inteligência artificial, data centers e cidades inteligentes. O movimento ocorre meses após a concl...

Imagem do Magnific/fanjianhua
Tecnologia Há 1 dia

Bancos elevam orçamento de tecnologia a R$ 50,4 bi em 2026

Levantamento da Febraban com a Deloitte destina R$ 3 bilhões a IA, Analytics e Big Data. Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, avalia que o retorno desses recursos depende da conexão entre dados, sistemas e participantes das relações come...