Domingo, 11 de Outubro de 2026
19°C 29°C
São Paulo, SP
Publicidade

América do Sul tem maior avanço de ciberataques em 2025

Conclusões são do relatório Compromise Report 2026, elaborado pela empresa de cibersegurança Lumu.

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
11/03/2026 às 14h51

A América do Sul foi a superfície de ataque que mais cresceu no mundo em 2025, principalmente por meio de fraudes financeiras e campanhas agressivas de ransomware. No Brasil, os cibercriminosos tiveram como alvo prioritário infraestruturas críticas e serviços governamentais — o mesmo foi registrado na Colômbia e Argentina. As conclusões fazem parte do Compromise Report 2026, que acaba de ser lançado pela Lumu, empresa de cibersegurança criadora do Continuous Compromise Assessment®.

De acordo com relatório, a rápida digitalização do setor bancário na região superou a adoção de medidas de segurança, criando um terreno fértil para fraudes financeiras. Os cinco principais setores afetados por roubo de informações na América do Sul foram, respectivamente, telecomunicações (22,1%), governo (17,5%), educação (15,3%), serviços financeiros (14,5%) e serviços profissionais (6,5%).

O relatório também detecta quatro tendências principais em cibersegurança relacionadas a anonimizadores, droppers e downloaders, roubo de informações e ransomware.

"Este ano, vimos uma mudança estratégica nos métodos de ataque, passando de malwares de alto perfil para técnicas mais furtivas. Não procuramos mais o inimigo no portão; temos que presumir que ele já está dentro. Os atacantes dominaram a arte de camuflar suas atividades em meio a ferramentas legítimas e ruído de rede, trocando a força bruta pela evasão comportamental e privilegiando anonimizadores, tunelamento de DNS e domínios gerados por IA", afirma Ricardo Villadiego, fundador e CEO da Lumu.

"Nosso relatório mais recente serve como um plano de batalha para líderes de segurança, detalhando a anatomia dessas novas ameaças invisíveis, de Keitaro a DeathRansom. Ele destaca a importância do monitoramento persistente, da integração perfeita de ferramentas e da inteligência de ameaças acionável", completa.

O levantamento revela também que os atacantes abandonaram as invasões "ruidosas" em favor de evasões "silenciosas e lentas", uma vez que dominaram táticas de ocultação e se escondem em ferramentas existentes, podendo usar VPNs, sistemas legítimos de distribuição de tráfego ou canais DNS criptografados.

O relatório observa ainda que a evidência mais clara dessa mudança está nas Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTPs). Os dados da estrutura MITRE ATT&CK mostram uma outra tendência: os atacantes estão priorizando a evasão acima de tudo. Notavelmente, o Comando e Controle (C2) substituiu a Execução entre as três principais TTPs, sinalizando uma mudança de prioridades — os adversários estão menos preocupados em executar código destrutivo imediatamente e mais focados em manter uma conexão persistente e silenciosa com as redes sem disparar alarmes.

Outras conclusões do Compromise Report 2026 da Lumu incluem:

  • A anonimização permaneceu o tipo de Indicador de Comprometimento (IoC) mais detectado durante todo o ano, reforçando sua posição como uma tática fundamental.
  • Os principais serviços de anonimização detectados em todo o mundo incluem o Tor e as VPNs privadas.
  • A Lumu detectou com maior frequência o dropper Keitaro, um Sistema de Distribuição de Tráfego (TDS) legítimo usado por profissionais de marketing para rotear tráfego da web, que os atacantes transformaram em arma para criar uma espécie de "corda de controle" para malware.
  • Apesar da remoção do malware como serviço (MaaS) e ladrão de informações Lumma Stealer, os sensores da Lumu detectaram novas infecções mais resistentes do Lumma no final de julho de 2025.
  • Mesmo que o Lumma ainda seja dominante, o cenário mudou para incluir novos ladrões de credenciais financeiras, como MagentoCore, Remo e Ramnit.
  • O cenário de ransomware em 2025 foi dominado por grupos fragmentados que se separaram a partir de gangues maiores e conhecidas, sendo o DeathRansom o maior deles.

O Compromise Report 2026 da Lumu pode ser acessado na íntegra por meio deste link.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Gemini
Tecnologia Há 1 dia

Industrialização e IA transformam construção civil

Inteligência artificial, BIM, Lean Construction e fabricação de componentes fora do canteiro modificam o planejamento, a execução e o controle de empreendimentos imobiliários, em um movimento voltado à produtividade, à padronização e à redução de ...

Tecnologia Há 1 dia

Jadlog amplia automação da triagem com sorter Pitney Bowes

A Jadlog instalou dois sorters da Pitney Bowes nas unidades do Rio de Janeiro e de Betim (MG). Os equipamentos processam até 5 mil pacotes por hora e 60 classificações simultâneas, buscando acelerar a triagem, reduzir erros e melhorar a previsibil...

Canva
Tecnologia Há 1 dia

Especialista alerta: a proteção vai além da marca

Embalagem copiada, software sem dono e fórmula levada por ex-funcionário são situações comuns que o registro de marca não resolve; especialista explica como evitar o prejuízo

João Rosa
Tecnologia Há 1 dia

Tecno it mira em crescimento e novos negócios em 2027

A Tecno it, empresa brasileira de tecnologia com mais de duas décadas de atuação, projeta para 2027 uma nova fase de expansão, com investimentos em inteligência artificial, data centers e cidades inteligentes. O movimento ocorre meses após a concl...

Imagem do Magnific/fanjianhua
Tecnologia Há 1 dia

Bancos elevam orçamento de tecnologia a R$ 50,4 bi em 2026

Levantamento da Febraban com a Deloitte destina R$ 3 bilhões a IA, Analytics e Big Data. Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera, avalia que o retorno desses recursos depende da conexão entre dados, sistemas e participantes das relações come...