
Fundada em 1966 em uma época onde 4% da população maranhense dispunha de água potável e 1,4% de rede coletora de esgotos sanitários, a Companhia de Saneamento Ambiental - CAEMA, mostrou-se importantíssima para o desenvolvimento e a saúde pública preventiva no Estado. Hoje quase 80% da população maranhense já recebe água tratada em suas casas. Um avanço significativo.
Em Imperatriz a empresa põe água nas torneiras da população. Um feito distributivo que impacta a economia pra todo lado e envolve considerações maiores sobre distribuição de renda, desigualdades e justiça social no momento em que o gás de cozinha chega a 100 reais e os talões de energia da Equatorial (antiga CEMAR), impactam bastante o orçamento de milhares de famílias. E mesmo que tenhamos uma enorme Usina Hidrelétrica no município de Estreito, aqui perto, não existe nem promessa de queda no preço da energia.
Falando em grandes empresas, é preciso verificar como elas estão no que diz respeito ao uso racional desta água. Trata-se de colocar o custeio disso em evidência e fiscalizar como será distribuído o pagamento desta conta. Vale lembrar que água doce é um bem escasso. Ela tem que ser "produzida" com ajuda da vegetação que protege nascentes e rios, tem que ser adequadamente distribuída, é preciso cobrar o preço que equilibra seu uso e evita a sobre-exploração. Assunto que aprofundaremos em outro momento.
Quando o assunto é "Caema" nos dias atuais, surge quem brilhe os olhos falando de "privatização", como se isso fosse a garantia total de empresa operante e ultra-honesta. Ledo engano. É só lembrar da nossa antiga Cemar, que permaneceu com qualidade dos serviços duvidosos e os custos nos bolso dos trabalhadores altíssimos. E aí daquele que atrasa um talão. E se brincar, ainda terá que pagar pra ter sua energia religada.
Diversas organizações mundo afora são bem claras: Privatizar recursos hídricos é de uma irresponsabilidade brutal. Água é vida e com ela privatizada é muito mais fácil acabar com a pobreza exterminando os pobres que não terão como pagar por ela. No Brasil se criou uma noção de PPP's , parcerias-publico-privadas onde na verdade a conta vai toda para o consumidor caso o ente privado não obtenha o lucro - investindo dinheiro muitas vezes oriundo de bancos públicos. O resultado ? Sempre sobra para o contribuinte.
É preciso investir mais na Caema. Melhorar o quadro pessoal. Ampliar sua estrutura e formular estratégias que gerem resultados positivos a população, meio ambiente e economia. Estes serviços essenciais que são feitos, custam mensalmente 40 reais por família em Imperatriz, são atacados de maneira criminosa por interesses políticos e de privatização. O debate agora precisa ser feito em torno da melhoria da empresa e o acesso a água tratada e esgoto para todos.
Em tempo: Cerca de 850 mil clientes da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) tiveram tarifa zero para água. A medida fez parte do plano de combate ao coronavírus (Covid-19) e foi editada no decreto nº 35.679, assinado pelo governador Flávio Dino.
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