
O Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento de uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República que envolve integrantes da bancada federal do Maranhão. O caso está sob relatoria do ministro Cristiano Zanin e apura suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares voltadas à área da saúde.
De acordo com a acusação, o processo investiga a suposta solicitação de vantagem indevida relacionada ao envio de recursos federais para o município de São José de Ribamar. Segundo a denúncia, teriam sido solicitados cerca de R$ 1,67 milhão ao então gestor municipal, em troca da destinação de aproximadamente R$ 6,67 milhões em emendas parlamentares para ações na área da saúde.
Entre os citados no processo está o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL - MA), apontado pela acusação como um dos responsáveis pela articulação política das emendas.
A investigação também menciona a participação do deputado Pastor Gil (PL - MA), do suplente Bosco Costa (PL - SE) e de pessoas apontadas como intermediários nas negociações.
A Procuradoria sustenta que os fatos podem configurar crimes como corrupção passiva e participação em organização criminosa. Além da eventual responsabilização criminal, o Ministério Público pede, em caso de condenação, a perda dos mandatos parlamentares e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.
O processo também cita o envolvimento de operadores financeiros e faz referência a movimentações bancárias que, segundo a investigação, teriam sido utilizadas para viabilizar os repasses.
Entre os nomes mencionados está o do empresário conhecido como Pacovan, que teria atuado nos bastidores do esquema e foi assassinado em 2024. A denúncia ainda aponta que valores teriam sido movimentados por meio de contas de terceiros, incluindo familiares de investigados.
Durante o julgamento, as defesas dos acusados deverão apresentar seus argumentos aos ministros do Supremo, contestando as acusações e a interpretação das provas apresentadas pela Procuradoria.
O caso tem repercussão política no Maranhão por envolver parlamentares em exercício e ocorre em meio às articulações partidárias e eleitorais que começam a se intensificar com vistas às eleições de 2026.