
A Presidente estadual do PT no Maranhão, Patrícia Carlos faz um balanço dos 46 anos do partido, analisa o papel da legenda no governo Carlos Brandão, comenta a pré-candidatura de Felipe Camarão e detalha as negociações conduzidas pela direção nacional para a formação do palanque de Lula no estado. Em entrevista concedida ao jornalista Carlos Leen, de O PROGRESSO, durante a feijoada comemorativa do PT em Imperatriz, ela fala de legado, estratégia eleitoral, mediação entre grupos políticos e dos nomes em disputa no tabuleiro sucessório.
O Progresso – O PT completa 46 anos de história. Em um estado marcado por disputas políticas intensas, qual é o balanço que a senhora faz do momento atual do PT no Maranhão?
Patrícia Carlos – São 46 anos de muita luta e de muito legado. O PT construiu políticas públicas que mudaram a vida do povo trabalhador brasileiro. Tiramos o Brasil do mapa da fome, reduzimos de forma significativa o déficit habitacional com programas como o Minha Casa, Minha Vida, colocamos o filho do trabalhador na universidade por meio do Reuni, do ProUni e do Fies. Democratizamos o ensino superior, levamos energia elétrica para comunidades que nunca tinham tido acesso, criamos recentemente o Pé-de-Meia para garantir a permanência dos estudantes na escola, além do Vale-Gás e da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Agora, também estamos na luta pelo fim da escala 6x1. Esse é um legado muito importante. Mas nós temos clareza de que, para ganhar eleição, não basta apenas falar do que já fizemos. Precisamos apresentar ao povo trabalhador um projeto que vá além do legado, que dialogue com os desafios do presente e do futuro.

O Progresso – E como o PT se posiciona hoje dentro do governo Carlos Brandão?
Patrícia Carlos – O PT do Maranhão compõe o governo Brandão com quatro secretarias. E eu sempre faço questão de destacar que não se trata apenas de ocupar cargos, mas de promover políticas públicas. O que nos move é a capacidade de essas secretarias entregarem resultados concretos à população.
Ao mesmo tempo, o partido tem a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão. No PT, qualquer filiado pode ser candidato, e ainda mais o vice-governador, que é um quadro qualificado do partido. Mas as candidaturas precisam ser aprovadas pelas instâncias partidárias e, principalmente, precisam dialogar com a nossa tática nacional, porque o PT é um partido nacional.
O Progresso – Quando a senhora fala em tática nacional, quais são hoje as prioridades do PT para o Maranhão?
Patrícia Carlos – A principal prioridade é o palanque do presidente Lula. Esse palanque precisa garantir a ampliação da votação do Lula no Maranhão. Não basta manter a votação, é preciso ampliar, porque o Maranhão compensa estados onde o presidente perde.
Além disso, temos como prioridade a eleição de dois senadores aliados, a renovação da bancada federal para dar sustentação ao governo Lula e a eleição de deputados estaduais comprometidos com esse projeto. Existe uma hierarquia clara de prioridades na nossa tática nacional, e o palanque no Maranhão precisa contemplar tudo isso.
O Progresso – Muito se comenta que a direção nacional do PT defende ou a cabeça de chapa com Felipe Camarão ou um nome de consenso com o governador Brandão. Há resistência a isso dentro do próprio PT maranhense?
Patrícia Carlos – Ontem mesmo estive com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em Brasília, e conversamos longamente sobre o Maranhão. O caminho que a direção nacional aponta é o da mediação entre os grupos que apoiam o presidente Lula no estado.
Ou seja, a tentativa é encontrar um nome que consiga unificar minimamente os dois campos: o grupo ligado ao chamado dinismo e o grupo do governador Brandão, que é um aliado do presidente. O presidente Lula confia muito na lealdade do governador Brandão e entende que ele é um nome forte para o Senado. Por isso, a direção nacional trabalha a hipótese de um terceiro nome para o governo, que permita essa unificação do campo lulista no Maranhão.
O Progresso – E como a direção estadual do PT se posiciona diante dessa orientação nacional?
Patrícia Carlos – Nós, enquanto dirigentes e militantes, vamos apoiar qualquer decisão da direção nacional. Hoje existem três caminhos colocados: a aliança com o governo, a candidatura própria com Felipe Camarão ou uma aliança com o PSD, que também vem sendo discutida nacionalmente.
Mas a sinalização do próprio presidente Lula é muito clara no sentido da mediação. E, nesse processo, pode ser que o nome do Felipe não seja o que viabilize essa mediação, assim como pode não ser um nome exclusivamente do campo do governo.
O presidente Edinho Silva me confirmou que sugeriu ao governador Brandão o nome de Iracema Vale, e pediu que ele conversasse com o grupo político. Nós estamos aguardando esse retorno.
O Progresso – Iracema Vale é um nome que tem respaldo dentro do PT?
Patrícia Carlos – Sim. Iracema foi prefeita duas vezes pelo PT, foi filiada ao partido por muitos anos, tem uma trajetória ligada à esquerda maranhense. Os pais dela eram sindicalistas e petistas, o irmão também. Para nós, ela não é um corpo estranho.
Inclusive, já fizemos um movimento de defesa do nome dela para o Senado. Mas, se for para o governo, estaremos juntos. É um nome que tem a confiança do PT no Maranhão.
O Progresso – E quanto ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide? Há resistência a uma eventual aliança?
Patrícia Carlos – Essa possibilidade ainda não foi descartada. Mas, essa é uma avaliação pessoal minha, existe pouca confiança política em uma aliança com Braide, muito pelo perfil dele. Ele tem um perfil outsider, conversa pouco, não tem um grupo político consolidado.
A impressão que ele me passa é a de alguém que tenta ser o lulismo sem o Lula e o bolsonarismo sem o Bolsonaro. Mas a eleição será polarizada, e nós precisamos de um palanque com identidade clara. Até agora, isso não ficou evidente no caso dele.