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EUA atraem profissionais brasileiros de tecnologia

Felipe Telles Veloso de Araujo, especialista em tecnologia com atuação nos Estados Unidos, afirma que brasileiros que trabalham no mercado norte-am...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
24/02/2026 às 13h21
EUA atraem profissionais brasileiros de tecnologia
Arquivo Pessoal/Felipe Telles

Os Estados Unidos são o principal destino de empresários, executivos e investidores brasileiros de tecnologia que decidem construir negócios e carreiras no exterior. Foi o que constatou o estudo Brazil Tech Diaspora, da Endeavor: 59,2% da base de 397 profissionais analisados vivem no país norte-americano. O percentual coloca os Estados Unidos na liderança absoluta, bastante à frente do segundo colocado, o Reino Unido (7,3%).

Brasileiros que empreendem nos Estados Unidos acabam se tornando pontes naturais. Isso porque trazem, para o mercado norte-americano, a capacidade de execução e a criatividade que se desenvolve em ambientes mais desafiadores. A afirmação é de Felipe Telles Veloso de Araujo, especialista em arquitetura de software, inteligência artificial (agentes de IA e automação) e desenvolvimento de produtos digitais com atuação nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, os profissionais absorvem práticas de escala, governança, padronização e acesso a capital, e levam isso de volta para o ecossistema brasileiro via parcerias, mentorias e times distribuídos, acrescenta Telles.

"No Brasil, nós aprendemos muito cedo a construir com eficiência: poucos recursos, prazos curtos e necessidade de entregar algo que funcione em escala real. Em projetos com alta criticidade — como plataformas com picos de tráfego e integrações complexas — o mercado norte-americano tende a valorizar processos que reduzam riscos. Na prática, a adaptação é sair do ‘entrega rápido’ para ‘entrega rápido, mas com confiabilidade e rastreabilidade’", explica Telles, que é especializado em gestão de sistemas de produção em alta escala e liderança técnica.

Em um cenário corporativo cada vez mais orientado por dados, medir sucesso exclusivamente por indicadores de produtividade já não é suficiente para refletir a real performance de uma organização. Especialistas como Telles defendem a ampliação desse olhar para métricas que contemplem qualidade — traduzida na redução de retrabalho, falhas e incidentes —, confiabilidade, observada na estabilidade operacional e na alta disponibilidade de sistemas e serviços, além da capacidade de inovação.

Automação

Outro ponto destacado por Telles é a importância da automação no mercado de tecnologia. Em sua análise, essa funcionalidade tende a impactar tarefas operacionais de desenvolvimento (geração de código simples, testes básicos, documentação inicial), mas o diferencial vai continuar sendo a capacidade de arquitetar sistemas, integrar com sistemas de legados, garantir segurança e governança. 

Nesse contexto, as competências estratégicas exigidas pelo mercado passam a ser pensamento sistêmico, arquitetura de software, engenharia de dados, segurança, capacidade de definir métricas de sucesso e, principalmente, habilidade de orquestrar sistemas inteligentes com supervisão humana, diz Telles. "O profissional que cresce é o que sabe orquestrar automação com governança, isto é, métricas, segurança, qualidade e integração com sistemas reais", resume ele.

Em um exemplo hipotético, uma varejista implementa automação para conciliar vendas e estoques em tempo real, apoiada por uma arquitetura de sistemas integrada entre lojas físicas, e-commerce e ERP (sistema de gestão empresarial), tudo sob uma governança clara de dados e acessos. Na prática, isso traz menos erros manuais, decisões mais rápidas sobre reposição de produtos e regras bem definidas sobre quem pode alterar preços, cadastros e relatórios.

O especialista afasta a ideia de que a automação sirva como uma substituição pura da mão de obra humana. Na sua visão, a tecnologia deve ser utilizada como "alavanca" para liberar pessoas de tarefas mecânicas e colocá-las em design de soluções, relacionamento com clientes, decisões de produto, criatividade e liderança. 

"Em times que liderei, o que funciona é estabelecer limites claros: quais decisões podem ser automatizadas, quais exigem validação humana, e quais ficam 100% sob responsabilidade do time. Quando existe transparência, e quando as pessoas são treinadas para trabalhar com ferramentas inteligentes, a automação vira um fator de valorização, não de precarização", pontua Telles.

Se o Brasil aproveitar a combinação de talento técnico e experiência prática, pode exportar ainda mais soluções e times de alto nível para o mundo, acredita o especialista. 

"Mas a virada competitiva depende de maturidade: não basta adotar IA, é preciso construir com governança, segurança e qualidade. Profissionais brasileiros que atuam em mercados como o norte-americano podem acelerar essa maturidade, trazendo padrões e ajudando o ecossistema a produzir tecnologia ‘production-grade’, não só protótipos. Isso aumenta a reputação e gera um ciclo de investimento e inovação", pondera Telles.

Quem é Felipe Telles Veloso de Araujo?

Formado em Ciência da Computação com honras acadêmicas pela Southern New Hampshire University (nos Estados Unidos), Telles co-fundou sua primeira startup, a Meaple, com apenas 17 anos. Desde então, esteve envolvido na criação de seis empresas de tecnologia e liderou equipes de até 25 pessoas.

Em 2022, atuou no desenvolvimento de arquiteturas multi-agente de inteligência artificial. Hoje, lidera a Ego Eimi LLC, um estúdio digital sediado na Flórida, e também está desenvolvendo a TaskMorph e Traiple, startups americanas de automação por IA com tecnologia proprietária.

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/fe-telles/

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